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A pianista
Segundo o blog "O Universo dos leitores" : "A memória não tem nada a ver com o passado e não promove surpresas. O papel da memória é fazer um exercício diário de invenção. Com isso, não digo que a memória mente, apenas que ela entende de tempo e de tempos e se atualiza todos os dias no presente com aquilo que somos. E foi assim que me aproximei da autobiografia de Rita Lee. Com o livro na mão, a pergunta que pairava em minha cabeça era: como a nossa rainha do rock inventaria a história do nosso país, a sua própria e de toda a música brasileira a partir do lugar em que está hoje? E a resposta – o livro – não poderia ter sido melhor. "
"Rita Lee, uma Autobiografia,
é o relato da vida da cantora de rock nacional Rita Lee desde seu
nascimento, passando pelo seu encantamento com a música, a criação das
primeiras bandas e canções, chegando até sua entrada para o grupo Os
Mutantes, do qual foi integrante e participou de momentos marcantes da
nossa música como os célebres festivais da canção. Após estes primeiros
momentos, Rita relata como conheceu seu atual marido, Roberto de
Carvalho e seus futuros trabalhos. Tudo isso em meio a centenas de
histórias de bastidores, envolvimento com drogas e bebidas, uma confusa
prisão e, claro, toda sua produção musical ao longo das décadas." Luiz Ribeiro.
Disponível em: https://www.universodosleitores.com/2017/04/rita-lee-uma-autobiografia.html
A Pianista
Um dia meu pai chegou em casa animado: ganhou uma paciente famosa, a maior pianista do momento, Magdalena Tagliaferro. Fechou-se um acordo entre eles: o tratamento dentário em troca de aulas de piano para a filha caçula. Crente que a mestra é dar valor às minhas composições pianísticas a três dedos como “O esqueleto da borboleta” ou “A barata da lua” entre outras obras-primas, fui recebida na primeira aula com impaciência diante da minha falta de talento com escalas básicas. O tempo passou e dei uma boa guinada. A mestra até elogiou meu esforço ao meu pai. Mais adiante, eu já despontava como uma boa aluna e fui escolhido para participar da próxima audição dos alunos da escola de piano Tagliaferro. Minha mãe fez um vestido cor- de- rosa com babados e passamanaria de renda branca um tanto desconfortável, mas charmosinho. No grande dia, estava lá na coxia assistindo aos alunos ganhando aplausos e aguardando a hora do meu Oscar de melhor infanto -pianista da noite, quando percebi minhas mãos suando e a boca seca tipo “ o sucesso me subiu à cabeça antes mesmo que aconteça” pensei eu, já começando a hiperventilar. Lembro de ter entrado no palco quando anunciaram meu nome e caminhando meio tensa até o banquinho. Eu devia ter uns seis ou sete anos. Assim que sentei, deu branco, deu branco, me ocorreu: O que eu estava fazendo ali mesmo? O que aquelas pessoas esperavam que eu fizesse?” Pois bem, eu fiz... Eu fiz xixi e banquinho e só me dei conta quando ouvi um “óóóíhh” da plateia. Retirada de cena petrificada, ainda ouvi a mestra dizer para minha mãe: “ Sinto muito, sua filha tem o que chamamos stage fright, medo do palco. Ela é boa, mas não aconselho seguir na música.
Oh, it’s me Shame and Scandal in the family
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Comentários

Magdalena Tagliaferro, a professora , errou feio em seu conselho.
ResponderExcluirQuem diria que aquela pequena aluna iria seguir na música e ser a maior estrela do rock nacional.
e
Realmente
ExcluirRejane as pessoas podem não ter talento para uma coisa, mas têm para outra.
São desapontos que nos levam ao ponto cego do que no fundo é a nossa realização. Quem passou por isso sabe.
ResponderExcluir