Pular para o conteúdo principal

Postagens em destaque

Pró-Música: uma ideia que deu certo

  Se fosse possível definir o Centro Cultural para a música em um verbo , esse verbo seria realizar. Criado em dezembro de 1971 para promover um concerto mensal de música erudita a instituição sem vínculo com o poder público ou fins lucrativos promoveu em 40 anos ininterruptos mais de 3800 eventos gratuitos para milhões de espectadores. ( do livro Centro Cultural Pró-Música, 40 anos, publicado em 2014 pela UFJF e escrito pelas jornalistas Gilze Bara e Lilian Pacce, e organizado pelo vice-presidente do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos.)   Para saber mais detalhes do livro, é só clicar Juiz de Fora,  cidade vanguardista de grande prestígio nas artes especialmente na literatura,   de grande vocação cultural, tornou-se   referência também em música erudita. O Centro Cultural por sua vez ajudou a gestar e apoiou o crescimento de diversas manifestações artísticas abrindo as portas de seu teatro, sua galeria sua escola, projetos culturais de outros grupos ...

Mar de Espanha: uma rica herança étnica.

                                                                                                

Nos 172 anos de Mar de Espanha, que se completaram neste dia 10 de setembro de 2023, volto o olhar para sua história em seus aspectos de transformação através dos tempos e a influência de diversas etnias que compuseram, cada uma a seu modo, o perfil desta cidade que tanto amamos.

Neste sentido, minha opção é falar dos que aqui aportaram e muito contribuíram com o desenvolvimento da cidade  e que fizeram dela, por meio de intensa miscigenação,  um lugar de aconchego próprio e diferenciado, onde fixaram residência, apresentaram suas habilidades e costumes que influenciaram nosso modo de ser e viver.

 SÍRIOS E LIBANESES 


 

Reporto-me ao trabalho que desenvolvi a respeito dos Sírios e Libaneses em Mar de Espanha, onde começaram a se fixar em 1912 aproximadamente. Considero-os fundadores do “comércio”. Fixaram moradia no centro da cidade e segmento da rua principal, sentido Largo do Rosário e nos trouxeram uma cultura bem diferente da nossa: a árabe. 


 

Em sua maioria, vieram da cidade de Medjel. Como todo início de vida trabalharam duro, como mascates em que vendiam de tudo um pouco: tecidos roupas, calçados, chapéus. Aos poucos, se tornaram comerciantes por excelência, contribuindo com o desenvolvimento econômico em nossa cidade. Alguns chegaram até a exportar café. 


 

Ao atentarmos para os habitantes da cidade encontramos vários sobrenomes honrados com origem Síria Libanesa. Dentre eles, temos os Nemer, Alves, Sales Pereira, Hannum, Azzi, Pádua, Farhat, Galil, Fuad, Addum, Zaiter, Rezala, Salomão, Simão dentre outros. 

Para conferir, é só clicar no link abaixo para ter acesso a uma postagem do blog com um maior aprofundamento do tema.

https://recantodomemorial.blogspot.com/search?q=s%C3%ADrios+e+libaneses

 

 

 ITALIANOS 

Foto da exposição dos objetos que pertenceram aos imigrantes italianos na Escola Estadual de Mar de Espanha por ocasião do Grupo de Desenvolvimento Profissional (GDP). O projeto que a escola abraçou na época pesquisava a herança italiana.

 

Entre os grupos imigratórios, os idos de 1876/1877 revelaram os registros dos possíveis primeiros imigrantes italianos chegados aos sertões do Cágado procedentes da província de Lucca na Toscana. Com registro de mascates concedido pela Câmara Municipal de Juiz de Fora, em 1876 eles se estabeleceram como comerciantes nos sertões de Sarandira e Santana do Deserto, seguindo o traçado da Ferrovia que a Companhia União Mineira construía entre Serraria e o povoado do Espirito Santo (Guarará). 

Festa de encerramento do Projeto da Herança Italiana  na E. E. de Mar de Espanha que contou com a presença de danças e comidas típicas italianas.
 

Em 1886, Nicolau Falabella e Miguel Falabella desembarcaram na estação de Chiador com destino a Mar de Espanha. Eram de Basilicata sul da Itália.

 Traçaram seu destino nesta cidade mineira. Miguel Falabella foi alfaiate em Mar de Espanha, onde se casou com Arminda Gribel.

No Distrito de Engenho Novo existiu também, uma das mais animadas comunidades da região. Sobrenomes Italianos encontrados nesta cidade: Os Callegari, Vito, Temponi, Daniel, Fulco, Magela, Nardelli, Barino, Cazarim, Bolotari, Romano, Bertuloso, Trece, Mazzi, Rossignoli, Minatele, Bissoli, Guingo, Brovini, Bortolassi, Schettino, Malicônico, Rossetti,Freitas, Oliveira.

Como força de trabalho, a região viveu o esplendor de um período de fartura. Os paióis tulhas e despesas estavam sempre cheios enquanto que fruteiras, hortaliças, galináceos e pequenos animais de corte completavam as necessidades da economia doméstica. Acredita-se que nos sertões do rio Cágado até meados de 1930, tenham se fixado cerca de 600 famílias italianas. “ A Colônia italiana do antigo município de Mar de Espanha era tão significativa, que o Município chegou a ter u correspondente Consular da Itália, na pessoa do empresário Fernando Equi residente em São Pedro do Pequeri.

OS INDIGENAS


  Os índios que habitavam nossa região foram os Puris. Eram hábeis pescadores e caçadores. Alimentava também de tubérculos e frutos selvagens. Em Mar de Espanha foram encontrados há algum tempo, objetos de barro, uma urna conhecida como Igaçaba. E em Córrego de Areia, divisa com. Chiador, foram encontradas inscrições e gravuras rupestres tidas como coisas de índios. Alguns cacos de cerâmica pedras pontiagudas supostas facas. No linguajar sobrevivem os termos: tucum, tacara, brejaúba, Piquiri, embaúba Maripá, poté, jacá, jequiá, guarará, guarani etc. Em nossa cidade são encontradas pessoas que se dizem descendentes de indígenas.

https://vidasemparedes.com.br/sitio-arqueologico-toca-do-indio-corrego-de-areia-mar-de-espanha-chiador-mg/

AFRICANOS

 


Apesar de não terem sido imigrantes voluntários, os africanos contribuíram com altivez em vários seguimentos de nossa cidade, principalmente a cultural através dos desafios, rezas, danças, crendices, benzedeiros, folia de reis, no vocabulário, no folclore, nos hábitos e costumes e na gastronomia com seus temperos de dar água na boca.

Merece destaque em nossa cidade o Zé Pereira do Zezinho pipoqueiro que anima e alegra nossas ruas com batuque e desfile dos fantasiados na época do Carnaval.

Igualmente honrado o Sr. Wantuil Gonçalves com seu Clube Canarinhos e a exuberante apresentação histórico cultural “do carro de boi ao asfalto” impar em cultura e conhecimento sobre nossa cidade, desenvolvida por seu grupo de estudo "Palmares".

AS FAMÌLIAS ALEMÃS

 EM MAR DE ESPANHA

 


 

                                                                    Por Maria Amélia Miranda Ramos

Entre os anos de 1850 e 1930 várias famílias emigraram da Alemanha em busca de melhores condições de vida. No Brasil, a economia e o mercado estavam se diversificando, o fim da escravidão havia sido decretado e havia uma política governamental de imigração. Nesse contexto, os alemães representam cerca de 5% dos imigrantes que buscaram uma nova pátria no Brasil, e atualmente estima-se que o número de seus descendentes em solo brasileiro seja de 5 milhões.

Nosso Mar de Espanha também recebeu imigrantes alemães. As famílias Kaizer, Loth, Saidler, Saar, Schneider, Becker, Thamer fizeram desta região sua morada. Em sua maioria eram agricultores que se estabeleceram em regiões como Minerva, Belém e Saudade.

A crise do café em 1929 também afetou Mar de Espanha, que até então era grande produtor de café, provocando excedentes de mão de obra na agricultura e levando alguns alemães a se mudarem para outras regiões, como Juiz de Fora, Rio de Janeiro e Córrego de Funil (Bocaina de Minas Gerais).

As famílias alemãs contribuíram significativamente com força de trabalho e conhecimento para o setor rural promovendo a diversificação do cultivo por meio da agricultura familiar além de terem exercido grande influência nas áreas industriais e comerciais. No campo religioso trouxeram a igreja Luterana.

A culinária alemã nos presenteou com pratos a “salada de batatas”, “a truta com pinhão”, “as cucas com creme”, “a salsicha branca”, “o joelho de porco” e “a saborosa cerveja”.

Os alemães fazem parte da história da nossa região, criaram aqui seus filhos, seus netos e constituíram uma nova vida, integrando-se e sendo integrados em nossa cidade. E você conhece algum descendente de alemães? Se fossemos contar, quantos seriam esses descendentes em Mar de Espanha?

Portugueses e Espanhóis


  "Caminhar por ruas do Rio, observando as fachadas de regiões como Santo Cristo e Morro da Conceição, traz à mente o fado na voz de Amália Rodrigues: “...um São José de azulejos/ mais o sol de primavera/ uma promessa de beijos/ dois braços à minha espera.../ É uma casa portuguesa, com certeza!/ É, com certeza, uma casa portuguesa!” 

https://oglobo.globo.com/ela/decoracao/tradicao-de-azulejos-com-santos-nas-fachadas-das-casas-permanece-viva-19487069

Além dos que já estavam aqui desde o descobrimento do Brasil, muitos portugueses chegaram no início do século XX a Mar de Espanha e, aqui deixaram sua herança. Através da oralidade obtive informações a respeito de imigrantes portugueses em nossa cidade. Alguns vieram a partir de 1882, 20 famílias portuguesas, 6 espanholas fixaram moradia por estas bandas, principalmente no distrito de Saudade e na Região do Córrego de Areia.

Trabalharam como mestre de obras, carpinteiros, desenvolveram agropecuária. Tornou-se impraticável identificá-los já que seus cognomes se confundiam com os de antigas famílias de origem lusitanos já aculturadas ao longo dos séculos.

Constata-se alguns comerciantes no ramo de panificadoras, bares, serem de origem portuguesa. E no serviço público também, o que necessita de maiores e melhores esclarecimentos.

Com este trabalho não quero me adiantar e muito menos mostrar algum conhecimento acadêmico ao qual reverencio aos que o são. O que me move é a paixão pelo conhecimento das raízes e cultura mardespanhense. Neste caso, meu objetivo é o coração, o gosto, o desejo e a vontade de que todos nos unamos e sejamos realmente irmãos. E também dar à luz aos imigrantes que ajudaram a construir a identidade de nossa cidade com seu trabalho, modos e costumes. Resgatar essa identidade se torna necessária pois se não perdida, está bastante escondida.







Comentários

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante para nós. Se comentar sem o email, identifique-se, POR FAVOR !