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Pró-Música: uma ideia que deu certo

 


Se fosse possível definir o Centro Cultural para a música em um verbo , esse verbo seria realizar. Criado em dezembro de 1971 para promover um concerto mensal de música erudita a instituição sem vínculo com o poder público ou fins lucrativos promoveu em 40 anos ininterruptos mais de 3800 eventos gratuitos para milhões de espectadores. ( do livro Centro Cultural Pró-Música, 40 anos, publicado em 2014 pela UFJF e escrito pelas jornalistas Gilze Bara e Lilian Pacce, e organizado pelo vice-presidente do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos.)


 Para saber mais detalhes do livro, é só clicar

Juiz de Fora,  cidade vanguardista de grande prestígio nas artes especialmente na literatura,  de grande vocação cultural, tornou-se  referência também em música erudita. O Centro Cultural por sua vez ajudou a gestar e apoiou o crescimento de diversas manifestações artísticas abrindo as portas de seu teatro, sua galeria sua escola, projetos culturais de outros grupos  e instituições.

 A incorporação do Centro Cultural Pró-Música pela Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF se deu em junho de 2011 como órgão suplementar .Todo o patrimônio material e  imaterial do  centro foi doado à universidade, significando segundo a direção da entidade, um novo começo que garantia a continuidade das ações  empreendidas ao longo dos anos

Foi na noite de 05 de dezembro de 1971 no Cine Theatro  Central que  soou o primeiro  acorde promovido pelo Centro Cultural Pró -Música de Juiz de Fora como um prenúncio do que aconteceria a partir de então, mais de 2.000 pessoas assistiram ao concerto inaugural da entidade lotando as dependências do  teatro,  inclusive as galerias.


 

 


 No palco,  o pianista nacional Arnaldo Estrella, diretor do Departamento Artístico da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro e a Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros da Guanabara sob a regência do maestro Capitão Othônio  Benvenuto. Na primeira parte do concerto para piano e orquestra  em lá menor de Grieg, acabou a energia elétrica do teatro. A Banda Sinfônica então se propôs a interpretar sucessos populares em meio a explicações do maestro Benvenuto,  recebendo muitos aplausos do público.

O pianista Arnaldo Estrela foi durante algum tempo, o diretor artístico do Pró-Música e um grande colaborador do projeto que a isntituição sempre abraçou: a democratização da cultura.

 
O grande compositor Radamés Gnatalli, quando de sua apresentação no Centro Cultural Pró-Música ao lado de Iberê Gomes Grosso, descendente de Carlos Gomes em março de 1972

Muitos artistas de destaque passaram por essa famosa galeria.  


 

“Acompanho o trabalho heróico do Pró-Música há muito tempo e ele me comove profundamente. Trata-se de uma família que foi à luta apoiada por uma cidade criativa e deu um exemplo fora de série para todo o país”

 Turíbio Santos, violonista 2008

Um grande recital que destaca uma peça famosa de Schumann, O Carnaval, op.9

 


 
Isabel e Hermínio ao lado do artista plástico Carlos Bracher    



1974: a conquista da sede própria. o casal, então, encontrou o terreno dos sonhos: uma área de 800 metros quadrados, localizada no centro da cidade, na Avenida Rio Branco no térreo do Edifício São Lucas, entre as ruas Santa Rita e São João.


Em 1984, foi veiculada em rede nacional, pela TVE, gravação feita pelo Coral e pela Orquestra de Cãmara do Pró-Música que exibia peças renascentistas, barrocas, românticas e contemporâneas, além do Magnificat de Johann Sebastien Bach. A ideia da TVE foi mostrar por meio da gravação o potencial artístico de Juiz de Fora. Os componentes do Coral e da Orquestra foram regidos por André Pires com aparticipação da Orquestrada Casa do Estudante do Brasil.
 
Disponível em :https://noticias.ufsc.br/2011/11/semana-ousada-de-artes-andre-pires-revira-o-canone-do-piano-brasileiro-e-da-oficina/
 
Julho de 1994

 


   III Salão Estadual 

de Artes Plásticas

do Conselho Estadual de Cultura

No final de 1980, O Conselho Estadual de Cultura determinou a realização em Juiz de Fora do III Salão de Artes Plásticas, uma de suas maiores realizações, sob responsabilidade do Centro Cultural Pró-Música. Antes do evento, no entanto, criou a galeria Movimento, com extensão de 125 metros, fechado por um portão de vidro fumê com esquadrias de alumínio e piso pavimentado com cerâmica, ornamentado com vasos de plantas naturais. Com essa nova galeria pronta, o III Salão de Artes Plásticas do Conselho Estadual  de Cultura foi aberto em novembro de 1980, quando as galeria  passou a se chamar Renato de Almeida, em homenagem ao pintor falecido em 1980 e a sala de concertos passou a se chamar Arnaldo Estrella, para homenagear o pianista e Diretor Artístico do Pró-Música, também falecido.

Alguns dos trabalhos premiados no Salão:

 

Rosângela Ferreira, Prêmio Usiminas
Lucy Tristão. Prêmio Banco mercantil do Brasil

Ruy Merheb Prêmio Cultural Pró-Música

Para continuidade desses concertos tornou-se fundamental a compra de um piano próprio para o centro cultural para a música. Uma empreitada  que foi uma verdadeira batalha. O diretor artístico da instituição, Arnaldo Estrella entrou em contato com a embaixada da  Alemanha ocidental no Brasil para conseguir apoio para a importação de um piano de cauda, diretamente de Hamburgo a preço de custo com isenção alfandegária. 

 

  
Retrato do pianista feito pelo artista tcheco Jan Zach
Disponível em : https://www.institutopianobrasileiro.com.br/images/view/750 


O representante do governo alemão Hermann  Goergen  abraçou a causa e ajudou a solucionar a questão.  Sua inauguração foi em outubro de 1972 no Palace hotel ocasião em que o  instrumentos recebeu uma bênção do  bispo Dom Geraldo Maria  de Morais Penido e logo foi inaugurado pelas mãos de Arnaldo Estrella, acompanhado violino de Mariuccia Iacovino. Logo depois o piano foi levado   do Palace Hotel para a Sociedade de Medicina e Cirurgia que passaria a abrigar os concertos no centro cultural por algum tempo.

"Tudo isso se deve, fundamentalmente, a um bravo casal, rogorosamente afinado no propósito de fazer arte. Inicialmente, o casal Maria Isabe- Hermínio de Souza Santos. Hoje, a família. Pais e filhos integram-se de modo admirável na obra comum familiar. Na família Santos, todos são músicos. "    Almir de Oliveira historiador e jornalista

 
" E tudo isso porque, à frente do Pró-Música há duas pessoas, Sr Hermínio e Dona Isabel que tomam café Pró-Música, almoçam Pró-Música, jantam Pró-Música e dormem Pró-Música. É uma abnegação fora de série, sem medir sacrifícios"  maestro Nelson Nilo Hack


Recital do cravista Felipe Silvestre no Museu Mariano Procópio, em 1978, por ocasião das comemorações do aniversário da cidade.



Renato Stehling
 

"Stehling foi um renomado artista plástico brasileiro, nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, em  1935.  Sempre mostrou seus trabalhos nas galerias de arte do Pró-Música. Integrou uma geração de pintores locais que se formaram na Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras, onde conviveu com mestres como Edson Motta, Mário Tasca, Sílvio Aragão, Ângelo Bigi, Carlos Gonçalves e Heitor de Alencar. Entre seus contemporâneos estavam artistas como Dnar Rocha e Carlos Bracher."

https://www.instagram.com/ateliedasmoldurasoficial/reel/DGV7mKZxmIt/

 

Stehling era conhecido por sua personalidade calma e sorriso sincero, dedicando-se intensamente à pintura e à família. Sua obra destaca-se por retratar paisagens bucólicas e cenas urbanas de Juiz de Fora, incluindo marcos como a Igreja da Glória e a Capela do Colégio Stella Matutina.

Pintura `Arvore Amarela` intitulado no verso, oleo sobre eucatex. Assinado canto inferior esquerdo. MED 69x79, tela 39x48 Disponível em:

https://www.instagram.com/ateliedasmoldurasoficial/reel/DGV7mKZxmIt/


 Suas telas foram frequentemente exibidas no Salão Oficial Municipal de Belas Artes de Juiz de Fora entre 1950 e 1969.
Renato Stehling faleceu em 7 de abril de 2003, deixando um legado significativo para as artes plásticas de Juiz de Fora e do Brasil.

 Dnar Rocha

Dnar Rocha nasceu em 1932 em Tabuleiro e em 1951 mudou-se com a família para Juiz de Fora e logo depois participou ativamente dos movimentos das artes plásticas. Iniciou sua formação artística na Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras. Dnar nunca deixou de frequentar assiduamente as galerias de arte do Pró-Música, onde, por meio de sua paleta de cores vibrantes,  transmitia as  emoções do cotidiano. Faleceu em 2006.

Disponível em : https://www.acessa.com/nossagente/arquivo/artistas/2006/11/24-dnarrocha/index.html


Natureza morta com objetos, 1993. Dnar Rocha.

 
Natureza morta, datado de 1988. Dnar Rocha

Paisagem em ebulição. Dnar Rocha
Foram muitos os artistas plásticos que expuseram suas obras no Pró-Música. Entre outros, Gerson Guedes, Girardi, artistas primitivos como José Luiz Soares, Rodelnégio e Lorenzato. Lígia Vellasco, Rangel, Eliardo França, Heitor de Alencar, Maurílio Arlota, jader Barroso, Paulo Ney, Carlos Wolney, Roberto Vieira, Desdêmona, Ivone Couto, Ângelo Marzano, Maria Carmem Alves, Sônia Labourier, Paulo Henrique, Lage das Neves,  Hilo de Morais Augusto(mosaicos com palitos de fósforos), Atayde Dutra de Moraes, Amélia Capanema, Paulo Feliciano, o italiano Sérgio Rossato, Marleni Moreira Rosa, Katharina Zelentzeff, Stephano Eleutheríades, Clério Pereira de Souza(Pimpinela), J. Batista, Iverson Bissagio, henrique Lott, Joaquim Bellizzi, Ângelo Biggi, Paulo Talarico, Bello, Eymar Brandão e Orlando Castaño, Roque Barbosa Rodrigues, José Carlos Falci, Vânia Cherem e Ítalo Stephani. 
  
Bibliografia: Centro Cultural Pró-Música 40 anos. Universidade Federal de Juiz de Fora

Comentários

  1. Parabéns Fernando. Excelente matéria sobre Pró_ Música. Muito interessante o desenrolar onde as pessoas compactuam o mesmo ideal de valorizar o melhor,o contemporâneo tornando especial no fazer da arte.

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