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Pró-Música: uma ideia que deu certo

  Se fosse possível definir o Centro Cultural para a música em um verbo , esse verbo seria realizar. Criado em dezembro de 1971 para promover um concerto mensal de música erudita a instituição sem vínculo com o poder público ou fins lucrativos promoveu em 40 anos ininterruptos mais de 3800 eventos gratuitos para milhões de espectadores. ( do livro Centro Cultural Pró-Música, 40 anos, publicado em 2014 pela UFJF e escrito pelas jornalistas Gilze Bara e Lilian Pacce, e organizado pelo vice-presidente do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos.)   Para saber mais detalhes do livro, é só clicar Juiz de Fora,  cidade vanguardista de grande prestígio nas artes especialmente na literatura,   de grande vocação cultural, tornou-se   referência também em música erudita. O Centro Cultural por sua vez ajudou a gestar e apoiou o crescimento de diversas manifestações artísticas abrindo as portas de seu teatro, sua galeria sua escola, projetos culturais de outros grupos ...

Daqui para Lee: o musical

 


por Fernando Rangel Pinheiro


https://drive.google.com/file/d/1K1Ch9LG30HiCIVi2j5sWaGTGzcVk3T_a/view?usp=sharing

 Para baixar o livro em PDF, é so clicar no link acima.


Uma grande inciativa de resgate de um ícone da cultura brasileira que foi a cantora Rita Lee. Apresentado pelo Coral 24 de Setembro, em dezembro do ano passado, no 2º andar do Espaço Cultural Falabella (antiga dependência do Clube Recreativo),  o espetáculo contrastou, de forma brilhante,  as músicas com a trajetória  de vida dessa artista brasileira que simboliza a irreverência, a liberdade de expressão, a rebeldia e a alegria.

 


"Daqui pra Lee: o musical" foi um espetáculo vibrante e emocionante ocorrido nos dias 20 e 22 de dezembro de 2024, no Espaço Cultural Falabella. A produção da Escola de Aprendizagem Musical, Banda de Música e Coral 24 de Setembro, da cidade de Mar de Espanha - MG, que teve roteiro adaptado do livro Rita Lee: uma autobiografia, celebrou a vida e a obra da icônica cantora e compositora brasileira Rita Lee. No Musical, o Coral 24 de Setembro entrelaçou grandes sucessos que marcaram gerações, como Ovelha Negra, Lança Perfume e Ando Meio Desligado, com momentos marcantes da trajetória pessoal e artística de Rita Lee, conduzindo o público a uma jornada sensorial e nostálgica. Com uma narrativa envolvente, que misturou humor, reflexão e rebeldia, Daqui pra Lee retratou Rita como a protagonista de sua própria história, compartilhando suas memórias e pensamentos com uma sinceridade única, em um verdadeiro tributo à Rainha do Rock Brasileiro." Texto que acompanha a descriçaõ do vídeo no You Tube

 


 Profecia

"Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta. Algumas rádios tocarão minhas músicas sem cobrar jabá, colegas dirão que farei falta no mundo da música, quem sabe até deem meu nome para uma rua sem saída. Os fãs, esses sinceros, empunharão capas dos meus discos e entoarão “Ovelha negra”, as tvs já devem ter na manga um resumo da minha trajetória para exibir no telejornal do dia e uma notinha no obituário de algumas revistas há de sair. Nas redes virtuais, alguns dirão: “Ué, pensei que a véia já tivesse morrido, kkk”. Nenhum político se atreverá a comparecer ao meu velório, uma vez que nunca compareci ao palanque de nenhum deles e me levantaria do caixão para vaiá-los. Enquanto isso, estarei eu de alma presente no céu tocando minha autoharp e cantando para Deus: “Thank you Lord, finally sedated” (finalmente sedada)

Epitáfio: Ela nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa." Extraído do livro Rita Lee: uma autobiografia


 

Geni Gomes de Morais, sentada numa poltrona, assume a narração do musical e as cenas se desenrolam mo palco

 "Dizem que eu era feliz e sabia, uma infanta normal que passava o dia na minha bem-aventurada insignificância, dentro de uma sagrada família onde eu, por tabela, viajava na modernidade das cinco mulheres geniais que me cercavam: Chesa, minha iluminada mãe; Balú, minha fada madrinha; Carú, minha bela irmã adotiva italiana; Mary Lee e Virgínia Lee, minhas duas hilárias manas de sangue. Esse harém desvairado estava sob o comando de Charles, meu pai, 45 anos mais velho que eu, fã de Inezita Barroso, ex-sargento da Revolução de 1932 e provável futuro assassino de Getúlio Vargas"

 

"Num dia de total desespero, fui ao terraço no segundo andar do casarão, que dava para os fundos da vizinhança, e comecei a gritar para Peter Pan vir me buscar. Eis que eu vi, com estes olhinhos que a terra não há de comer porque serei cremada, três luzinhas metálicas fazendo acrobacias divertidas no céu. Ao avistar aquilo, parei de gritar por dez segundos para observar, depois dobrei a meta e recomecei a gritar mais alto ainda, até que meu pai chegou ao terraço esbaforido, crente que eu havia despencado de lá.

Diálogo do pai com a filha:

“Rita, o que está acontecendo por aqui?”

“Peter Pan! Peter Pan! Eu vi o Peter Pan!”

“Onde?”

“Logo ali no céu, pai!”

“Me conta como era.”

“Três luzinhas.”

“O.k. De que cor?”

“Coloridas.”

“O que elas faziam?”

“Uma dancinha.”

“O.k. Como era essa dancinha?”

“Mudavam de lugar uma com a outra.”

“O que aconteceu depois?”

“Sumiram de repente. Juro que eu vi, pai. Não é mentira!”

“Rita, eu acredito em você e vou te contar uma verdade: Papai Noel, Coelho da Páscoa, Deus e o Diabo, Céu e Inferno, essas bobagens não existem, quem compra os presentes é sua mãe. O que você viu não foi o Peter Pan. Você viu um disco voador, minha filha!” Da série “a verdade dói, mas liberta”. O primeiro disco voador a gente nunca esquece. Já avistei vários, sóbria e nem tanto. Pero que los hay, los hay."


Guarujá

"Movidos pela vontade de desbravar regiões isoladas, os primos desta vez foram explorar o litoral paulista, algo bem menos perigoso, uma vez que já conheciam Bertioga por conta de suas pescarias. Eis que um irmão de Chesa, tio Nicodemo, na época um dos diretores do Palmeiras, deu uma bela dica aos primos corintianos: a ilha de Santo Amaro, conhecida hoje por Guarujá, um lugarejo tranquilo onde só se chegava de balsa e onde havia um único prédio de três andares pertinho da igreja de Santo Amaro, a quatro quarteirões da praia.

O último apartamento do térreo estava à vendae, para delírio do harém, Charles fechou o negócio. Nas férias de verão, o Guarujá era o paraíso perdido. Uma peixaria, uma sorveteria, uma quitanda, um armarinho, um pronto-socorro, um microcineminha e uma central telefônica era tudo que os poucos nativos precisavam. O mais bacana era que nas férias o harém estava free da presença de Charles, que ficava trabalhando em Sampa.

Ele jamais admitiria que botássemos nossas asinhas de fora, nem nas férias. A ausência dele, portanto, significava nosso “libertas qæ sera tamen” até as últimas inconsequências, tipo não escovar os dentes depois de comer, ficar na praia depois das dez horas da manhã, dormir de madrugada e espiar os artistas pelo muro do cassino. Sim, nos anos 1950 o Guarujá era conhecido internacionalmente pelo Gran Cassino, uma espécie de ilha da fantasia dentro da ilha de Santo Amaro. Celebridades planetárias lá se hospedavam e festas nababescas aconteciam num contraste surreal com o resto da aldeia. Seu Julio, um vizinho nativo que trabalhava lá de garçom, nos contava as fofocas que rolavam, das guloseimas chiques que eram servidas, dos figurinos glamourosos que os artistas desfilavam. O cara era um tesouro de informação para nós. Havia também uma figura nativa chamada Maria Louca (sempre tem uma) que desfilava em trapos e declamava poemas de protesto contra o luxo, escandalizando frequentadores do cassino e sendo aplaudida pelos conterrâneos. Outra Maria, a Fumaça, era um trenzinho meio Disney que transportava até a balsa os trabalhadores do cassino que moravam em Santos. Do nosso prédio até a praia, dava para contar nos dedos as casinhas dos moradores locais entre terrenos e mais terrenos baldios, coisa de presépio. Flamboyants exalavam seu perfume pelas ruas desertas do Guarujá e suas sombras eram uma trégua para nossos pés descalços sob sol escaldante a caminho da praia. Numa das festas do Gran Cassino, a atriz Rhonda Fleming teria enchido a cara e literalmente caído de boca, quebrando o dente da frente, algo dramático para a bonitona. O consulado americano entrou em contato com meu pai, pois Rhonda só falava inglês e precisava explicar o procedimento estético que o dentista tupiniquim deveria seguir e coisa e tal. Chegou a São Paulo direto para o consultório, onde a primeira coisa que disse antes de bom-dia foi: “I hope you can properly handle this with hability”( Espero que o senhor possa realizar o serviço de forma correta e habilidosa), ao que ele respondeu: “Of course madam. Will you please remove this greasy lipstick off your lips before I can do my job?”( É claro minha senhora. Mas antes será que você pode tirar esse batom gorduroso dos lábios para que eu possa fazer meu serviço?) Quando Charles contou essa história para um harém hipnotizado, em vez de ganhar palmas pela resposta bacaninha, levou um desaforado “Por que você não guardou o lenço no qual Rhonda limpou o batom" Trecho do livro Rita Lee: uma autobiografia






Dizem que sou louca por pensar assim

Se eu sou muito louca por eu ser feliz

Mas louco é quem me diz

E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, eu sou Sharon Stone

Se eles são famosos, I'm a Rolling Stone

Mas louco é quem me diz

E não é feliz, não é feliz

Eu juro que é melhor

Não ser o normal

Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar

Se eles rezam muito (eu sou santa)

Eu já estou no céu

Mas louco é quem me diz

E não é feliz, não é feliz

Eu juro que é melhor

Não ser o normal

Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim sou muito louca, não vou me curar

Já não sou a única que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz

E não é feliz, eu sou feliz


"O lado bom de passar o Carnaval trancada em casa era que Charles liberava confete, serpentina e... Rod’Ouro, a bisnaga metálica de lança-perfume, para o harém se esbaldar no porão! Momento lencinho geladinho, desmaios e gargalhadas. A única coisa que em Rio Claro não tinha era lança-perfume. Imperdoável! A outra ocasião em que os Rod’Ouros também eram liberados pelo Sargento era quando o Corinthians ganhava um campeonato."

A canção foi uma homenagem do pai de Rita Lee, Charles Jones, que distribuía lança perfume para a família quando o Corinthians ganhava. A canção colocou Rita Lee na programação das rádios sem parar, o que lhe permitiu fazer várias turnês pelo país
 

Lança menina, lança todo esse perfumeDesbaratinaNão dá pra ficar imuneAo teu amor que tem cheiro de coisa maluca
Vem cá, meu bemMe descola um carinhoEu sou nenémSó sossego com um beijinhoVê se me dá o prazer de ter prazer comigoMe aqueça
Me vira de ponta cabeçaMe faz de gato e sapatoMe deixa de quatro no atoMe enche de amor, de amor
Lança, lança perfume, ohLança, lança perfume, ohLança, lança, lança perfumeLança perfume

 Ficha Técnica

Presidente da Escola de Aprendizagem Musical, Banda e Coral 24 de Setembro

Norma Maria Vieira dos Reis

 Direção Geral,, Musical, Cência, Preparação vocal e roteirização

Tiago Teixeira Ferreira

 Produção Musical

 Bennett Oliveira da Silva

 Iluminação e Sonorização

Márcio Saramela Medeiros  e Ãngelo Vieira dos Reis

 Narração

Geni Gomes

 Cantoras

Adriana Caetano

Carla Maria Deolinda de Souza Braz

Cleonice de Souza

Dalva Pereira

Franciane das Graças Santana Barros

Giovana Grossi magalhães

Jaqueline Elaine da Silva Lima

Josa Carla Grossi Magalhães

Josiane Cristina Braz Fernandes

Juliana Aparecida Pimentel

Jussara Macedo kaeser Silva

Laura Kaeser Martins

Luana Kaeser Martins

Maria de Fátima Tostes Oliveira

Maria Elizia de Souza Rodrigues

Maria José Martins de Rezende

Maria Noemi Diogo Araújo

Mariane Santana de Barros 

Michelle Santiago Barbosa

Rosimeri MargarIDA

Cantores 

Adriano José Bento

Alcides Rodrigues

Augusto Inácio de Oliveira

Cláudio Luiz Maurício

Henzzo Victor Souza Rosa da Silva 

José Alves Filho

Marco Aurélio Santiago Barbosa

Tiago Teixeira Ferreira 

Bibliografia:Rita Lee: uma autobiografia / Rita Lee. – 1. ed. – São Paulo : Globo, 2016.

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