Postagens em destaque
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Daqui para Lee: o musical
por Fernando Rangel Pinheiro
https://drive.google.com/file/d/1K1Ch9LG30HiCIVi2j5sWaGTGzcVk3T_a/view?usp=sharing
Para baixar o livro em PDF, é so clicar no link acima.
Uma grande inciativa de resgate de um ícone da cultura brasileira que foi a cantora Rita Lee. Apresentado pelo Coral 24 de Setembro, em dezembro do ano passado, no 2º andar do Espaço Cultural Falabella (antiga dependência do Clube Recreativo), o espetáculo contrastou, de forma brilhante, as músicas com a trajetória de vida dessa artista brasileira que simboliza a irreverência, a liberdade de expressão, a rebeldia e a alegria.
"Daqui pra Lee: o musical" foi um espetáculo vibrante e emocionante ocorrido nos dias 20 e 22 de dezembro de 2024, no Espaço Cultural Falabella. A produção da Escola de Aprendizagem Musical, Banda de Música e Coral 24 de Setembro, da cidade de Mar de Espanha - MG, que teve roteiro adaptado do livro Rita Lee: uma autobiografia, celebrou a vida e a obra da icônica cantora e compositora brasileira Rita Lee. No Musical, o Coral 24 de Setembro entrelaçou grandes sucessos que marcaram gerações, como Ovelha Negra, Lança Perfume e Ando Meio Desligado, com momentos marcantes da trajetória pessoal e artística de Rita Lee, conduzindo o público a uma jornada sensorial e nostálgica. Com uma narrativa envolvente, que misturou humor, reflexão e rebeldia, Daqui pra Lee retratou Rita como a protagonista de sua própria história, compartilhando suas memórias e pensamentos com uma sinceridade única, em um verdadeiro tributo à Rainha do Rock Brasileiro." Texto que acompanha a descriçaõ do vídeo no You Tube
Profecia
"Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta. Algumas rádios tocarão minhas músicas sem cobrar jabá, colegas dirão que farei falta no mundo da música, quem sabe até deem meu nome para uma rua sem saída. Os fãs, esses sinceros, empunharão capas dos meus discos e entoarão “Ovelha negra”, as tvs já devem ter na manga um resumo da minha trajetória para exibir no telejornal do dia e uma notinha no obituário de algumas revistas há de sair. Nas redes virtuais, alguns dirão: “Ué, pensei que a véia já tivesse morrido, kkk”. Nenhum político se atreverá a comparecer ao meu velório, uma vez que nunca compareci ao palanque de nenhum deles e me levantaria do caixão para vaiá-los. Enquanto isso, estarei eu de alma presente no céu tocando minha autoharp e cantando para Deus: “Thank you Lord, finally sedated” (finalmente sedada)
Epitáfio: Ela nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa." Extraído do livro Rita Lee: uma autobiografia
"Dizem que eu era feliz e sabia, uma infanta normal que passava o dia na minha bem-aventurada insignificância, dentro de uma sagrada família onde eu, por tabela, viajava na modernidade das cinco mulheres geniais que me cercavam: Chesa, minha iluminada mãe; Balú, minha fada madrinha; Carú, minha bela irmã adotiva italiana; Mary Lee e Virgínia Lee, minhas duas hilárias manas de sangue. Esse harém desvairado estava sob o comando de Charles, meu pai, 45 anos mais velho que eu, fã de Inezita Barroso, ex-sargento da Revolução de 1932 e provável futuro assassino de Getúlio Vargas"
"Num dia de total desespero, fui ao terraço no segundo andar do casarão, que dava para os fundos da vizinhança, e comecei a gritar para Peter Pan vir me buscar. Eis que eu vi, com estes olhinhos que a terra não há de comer porque serei cremada, três luzinhas metálicas fazendo acrobacias divertidas no céu. Ao avistar aquilo, parei de gritar por dez segundos para observar, depois dobrei a meta e recomecei a gritar mais alto ainda, até que meu pai chegou ao terraço esbaforido, crente que eu havia despencado de lá.
Diálogo do pai com a filha:
“Rita, o que está acontecendo por aqui?”
“Peter Pan! Peter Pan! Eu vi o Peter Pan!”
“Onde?”
“Logo ali no céu, pai!”
“Me conta como era.”
“Três luzinhas.”
“O.k. De que cor?”
“Coloridas.”
“O que elas faziam?”
“Uma dancinha.”
“O.k. Como era essa dancinha?”
“Mudavam de lugar uma com a outra.”
“O que aconteceu depois?”
“Sumiram de repente. Juro que eu vi, pai. Não é mentira!”
“Rita, eu acredito em você e vou te contar uma verdade: Papai Noel, Coelho da Páscoa, Deus e o Diabo, Céu e Inferno, essas bobagens não existem, quem compra os presentes é sua mãe. O que você viu não foi o Peter Pan. Você viu um disco voador, minha filha!” Da série “a verdade dói, mas liberta”. O primeiro disco voador a gente nunca esquece. Já avistei vários, sóbria e nem tanto. Pero que los hay, los hay."
Guarujá
"Movidos pela vontade de desbravar regiões isoladas, os primos desta vez foram explorar o litoral paulista, algo bem menos perigoso, uma vez que já conheciam Bertioga por conta de suas pescarias. Eis que um irmão de Chesa, tio Nicodemo, na época um dos diretores do Palmeiras, deu uma bela dica aos primos corintianos: a ilha de Santo Amaro, conhecida hoje por Guarujá, um lugarejo tranquilo onde só se chegava de balsa e onde havia um único prédio de três andares pertinho da igreja de Santo Amaro, a quatro quarteirões da praia.
O último apartamento do térreo estava à vendae, para delírio do harém, Charles fechou o negócio. Nas férias de verão, o Guarujá era o paraíso perdido. Uma peixaria, uma sorveteria, uma quitanda, um armarinho, um pronto-socorro, um microcineminha e uma central telefônica era tudo que os poucos nativos precisavam. O mais bacana era que nas férias o harém estava free da presença de Charles, que ficava trabalhando em Sampa.
Ele jamais admitiria que botássemos nossas asinhas de fora, nem nas férias. A ausência dele, portanto, significava nosso “libertas qæ sera tamen” até as últimas inconsequências, tipo não escovar os dentes depois de comer, ficar na praia depois das dez horas da manhã, dormir de madrugada e espiar os artistas pelo muro do cassino. Sim, nos anos 1950 o Guarujá era conhecido internacionalmente pelo Gran Cassino, uma espécie de ilha da fantasia dentro da ilha de Santo Amaro. Celebridades planetárias lá se hospedavam e festas nababescas aconteciam num contraste surreal com o resto da aldeia. Seu Julio, um vizinho nativo que trabalhava lá de garçom, nos contava as fofocas que rolavam, das guloseimas chiques que eram servidas, dos figurinos glamourosos que os artistas desfilavam. O cara era um tesouro de informação para nós. Havia também uma figura nativa chamada Maria Louca (sempre tem uma) que desfilava em trapos e declamava poemas de protesto contra o luxo, escandalizando frequentadores do cassino e sendo aplaudida pelos conterrâneos. Outra Maria, a Fumaça, era um trenzinho meio Disney que transportava até a balsa os trabalhadores do cassino que moravam em Santos. Do nosso prédio até a praia, dava para contar nos dedos as casinhas dos moradores locais entre terrenos e mais terrenos baldios, coisa de presépio. Flamboyants exalavam seu perfume pelas ruas desertas do Guarujá e suas sombras eram uma trégua para nossos pés descalços sob sol escaldante a caminho da praia. Numa das festas do Gran Cassino, a atriz Rhonda Fleming teria enchido a cara e literalmente caído de boca, quebrando o dente da frente, algo dramático para a bonitona. O consulado americano entrou em contato com meu pai, pois Rhonda só falava inglês e precisava explicar o procedimento estético que o dentista tupiniquim deveria seguir e coisa e tal. Chegou a São Paulo direto para o consultório, onde a primeira coisa que disse antes de bom-dia foi: “I hope you can properly handle this with hability”( Espero que o senhor possa realizar o serviço de forma correta e habilidosa), ao que ele respondeu: “Of course madam. Will you please remove this greasy lipstick off your lips before I can do my job?”( É claro minha senhora. Mas antes será que você pode tirar esse batom gorduroso dos lábios para que eu possa fazer meu serviço?) Quando Charles contou essa história para um harém hipnotizado, em vez de ganhar palmas pela resposta bacaninha, levou um desaforado “Por que você não guardou o lenço no qual Rhonda limpou o batom" Trecho do livro Rita Lee: uma autobiografia
Dizem que sou louca por pensar assim
Se eu sou muito louca por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, eu sou Sharon Stone
Se eles são famosos, I'm a Rolling Stone
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito (eu sou santa)
Eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Sim sou muito louca, não vou me curar
Já não sou a única que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz
"O lado bom de passar o Carnaval trancada em casa era que Charles liberava confete, serpentina e... Rod’Ouro, a bisnaga metálica de lança-perfume, para o harém se esbaldar no porão! Momento lencinho geladinho, desmaios e gargalhadas. A única coisa que em Rio Claro não tinha era lança-perfume. Imperdoável! A outra ocasião em que os Rod’Ouros também eram liberados pelo Sargento era quando o Corinthians ganhava um campeonato."
Desbaratina
Não dá pra ficar imune
Ao teu amor que tem cheiro de coisa maluca
Me descola um carinho
Eu sou neném
Só sossego com um beijinho
Vê se me dá o prazer de ter prazer comigo
Me aqueça
Me faz de gato e sapato
Me deixa de quatro no ato
Me enche de amor, de amor
Lança, lança perfume, oh
Lança, lança, lança perfume
Lança perfume
Ficha Técnica
Presidente da Escola de Aprendizagem Musical, Banda e Coral 24 de Setembro
Norma Maria Vieira dos Reis
Direção Geral,, Musical, Cência, Preparação vocal e roteirização
Tiago Teixeira Ferreira
Produção Musical
Bennett Oliveira da Silva
Iluminação e Sonorização
Márcio Saramela Medeiros e Ãngelo Vieira dos Reis
Narração
Geni Gomes
Cantoras
Adriana Caetano
Carla Maria Deolinda de Souza Braz
Cleonice de Souza
Dalva Pereira
Franciane das Graças Santana Barros
Giovana Grossi magalhães
Jaqueline Elaine da Silva Lima
Josa Carla Grossi Magalhães
Josiane Cristina Braz Fernandes
Juliana Aparecida Pimentel
Jussara Macedo kaeser Silva
Laura Kaeser Martins
Luana Kaeser Martins
Maria de Fátima Tostes Oliveira
Maria Elizia de Souza Rodrigues
Maria José Martins de Rezende
Maria Noemi Diogo Araújo
Mariane Santana de Barros
Michelle Santiago Barbosa
Rosimeri MargarIDA
Cantores
Adriano José Bento
Alcides Rodrigues
Augusto Inácio de Oliveira
Cláudio Luiz Maurício
Henzzo Victor Souza Rosa da Silva
José Alves Filho
Marco Aurélio Santiago Barbosa
Tiago Teixeira Ferreira
Bibliografia:Rita Lee: uma autobiografia / Rita Lee. – 1. ed. – São Paulo : Globo, 2016.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Comentários



Bravíssimo
ResponderExcluir