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Pró-Música: uma ideia que deu certo

  Se fosse possível definir o Centro Cultural para a música em um verbo , esse verbo seria realizar. Criado em dezembro de 1971 para promover um concerto mensal de música erudita a instituição sem vínculo com o poder público ou fins lucrativos promoveu em 40 anos ininterruptos mais de 3800 eventos gratuitos para milhões de espectadores. ( do livro Centro Cultural Pró-Música, 40 anos, publicado em 2014 pela UFJF e escrito pelas jornalistas Gilze Bara e Lilian Pacce, e organizado pelo vice-presidente do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos.)   Para saber mais detalhes do livro, é só clicar Juiz de Fora,  cidade vanguardista de grande prestígio nas artes especialmente na literatura,   de grande vocação cultural, tornou-se   referência também em música erudita. O Centro Cultural por sua vez ajudou a gestar e apoiou o crescimento de diversas manifestações artísticas abrindo as portas de seu teatro, sua galeria sua escola, projetos culturais de outros grupos ...

Um pouco de poesia

 


 

Dois mineiros nos falam das Minas Gerais: Adélia Prado e Carlos Drummond de Andrade. O s poemas foram extraídos de uma publicação do blog Minas na poesia, Espaço do Conhecimento da UFMG.

As fotos que fazem parte dessa publicação são de autoria da artista plástica e fotógrafa Márcia Valle,  juizforana,  que com suas lentes mágicas traduz essa minas gerais

Márcia possui quase 8.000 fotos disponíveis para download, em vários formatos e resoluções. Vale a pena conhecer seu trabalho. É só conferir no link abaixo:

 

https://www.flickr.com/photos/marcia-valle/


"Comecei a pintar aos 13 anos, aos 21 me formei em Jornalismo. Costuro vestidos de noivas, cuido das plantas no meu terraço, alimento os passarinhos... e fotografo compulsivamente."                                            Márcia Valle



 

Tiradentes.


Adélia Prado nasceu em Divinópolis, interior de Minas, e cresceu junto com a cidade – algumas vezes, veio dela a sua inspiração. Leitora desde pequena, a experiência com a escrita surgiu mais tarde, como uma resposta à existência. Escreve sobre o que vive, os sentimentos que carrega e seus desdobramentos.

 


A poesia de Adélia Prado nos traz as ruas da sua cidade natal, mas que poderiam ser as ruas de qualquer outra cidade do interior. O poema “Para comer depois” consegue algo que a arte faz com maestria: mudar-nos de lugar num piscar de olhos. Nesse caso específico, somos transportados para uma localidade pequena

Na minha cidade, nos domingos de tarde,

 as pessoas se põem na sombra com faca e laranjas.

Tomam a fresca e riem do rapaz da bicicleta,

a campainha desatada, o aro enfeitado de laranjas:

‘Eh bobagem!’

Daqui a muito progresso tecno-ilógico,

quando for impossível detectar o domingo

pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas,

em meu país de memória e sentimento,

basta fechar os olhos:

É domingo, é domingo, é domingo.

(Adélia Prado, Poesia Reunida, 2015, p. 38)

 

https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/minas-na-poesia/

Tiradentes

 

Carlos Drummond de Andrade. Mineiro natural de Itabira, Drummond escreve Minas nas entrelinhas, em sua vasta obra, deixando clara a relação amorosa que tinha pela cultura, paisagens e a história do lugar de onde veio, mas também fazendo críticas, principalmente à mineração de ferro, muito presente em Itabira.

Minas não é palavra montanhosa

É palavra abissal

Minas é dentro e fundo

As montanhas escondem o que é Minas.

No alto mais celeste, subterrânea,

é galeria vertical varando o ferro

para chegar ninguém sabe onde.

Ninguém sabe Minas. A pedra

o buriti

a carranca

o nevoeiro

o raio

selam a verdade primeira,

sepultada em eras geológicas de sonho.

Só mineiros sabem.

E não dizem nem a si mesmos o

irrevelável segredo

chamado Minas.

(Carlos Drummond de Andrade: Poesia e Prosa, 1992, p.433)

 


 

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