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Um pouco de poesia
Dois mineiros nos falam das Minas Gerais: Adélia Prado e Carlos Drummond de Andrade. O s poemas foram extraídos de uma publicação do blog Minas na poesia, Espaço do Conhecimento da UFMG.
As fotos que fazem parte dessa publicação são de autoria da artista plástica e fotógrafa Márcia Valle, juizforana, que com suas lentes mágicas traduz essa minas gerais
Márcia possui quase 8.000 fotos disponíveis para download, em vários formatos e resoluções. Vale a pena conhecer seu trabalho. É só conferir no link abaixo:
https://www.flickr.com/photos/marcia-valle/
"Comecei a pintar aos 13 anos, aos 21 me formei em
Jornalismo. Costuro vestidos de noivas, cuido das plantas no meu terraço,
alimento os passarinhos... e fotografo compulsivamente." Márcia Valle
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| Tiradentes. |
Adélia Prado nasceu em Divinópolis, interior de Minas, e cresceu junto com a cidade – algumas vezes, veio dela a sua inspiração. Leitora desde pequena, a experiência com a escrita surgiu mais tarde, como uma resposta à existência. Escreve sobre o que vive, os sentimentos que carrega e seus desdobramentos.
A poesia de Adélia Prado nos traz as ruas da sua cidade natal, mas que poderiam ser as ruas de qualquer outra cidade do interior. O poema “Para comer depois” consegue algo que a arte faz com maestria: mudar-nos de lugar num piscar de olhos. Nesse caso específico, somos transportados para uma localidade pequena
Na minha cidade, nos domingos de tarde,
as pessoas se põem na sombra com faca e laranjas.
Tomam a fresca e riem do rapaz da bicicleta,
a campainha desatada, o aro enfeitado de laranjas:
‘Eh bobagem!’
Daqui a muito progresso tecno-ilógico,
quando for impossível detectar o domingo
pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas,
em meu país de memória e sentimento,
basta fechar os olhos:
É domingo, é domingo, é domingo.
(Adélia Prado, Poesia Reunida, 2015, p. 38)
https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/minas-na-poesia/
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| Tiradentes |
Carlos Drummond de Andrade. Mineiro natural de Itabira, Drummond escreve Minas nas entrelinhas, em sua vasta obra, deixando clara a relação amorosa que tinha pela cultura, paisagens e a história do lugar de onde veio, mas também fazendo críticas, principalmente à mineração de ferro, muito presente em Itabira.
Minas não é palavra montanhosa
É palavra abissal
Minas é dentro e fundo
As montanhas escondem o que é Minas.
No alto mais celeste, subterrânea,
é galeria vertical varando o ferro
para chegar ninguém sabe onde.
Ninguém sabe Minas. A pedra
o buriti
a carranca
o nevoeiro
o raio
selam a verdade primeira,
sepultada em eras geológicas de sonho.
Só mineiros sabem.
E não dizem nem a si mesmos o
irrevelável segredo
chamado Minas.
(Carlos Drummond de Andrade: Poesia e Prosa, 1992, p.433)
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