Pular para o conteúdo principal

Postagens em destaque

Pró-Música: uma ideia que deu certo

  Se fosse possível definir o Centro Cultural para a música em um verbo , esse verbo seria realizar. Criado em dezembro de 1971 para promover um concerto mensal de música erudita a instituição sem vínculo com o poder público ou fins lucrativos promoveu em 40 anos ininterruptos mais de 3800 eventos gratuitos para milhões de espectadores. ( do livro Centro Cultural Pró-Música, 40 anos, publicado em 2014 pela UFJF e escrito pelas jornalistas Gilze Bara e Lilian Pacce, e organizado pelo vice-presidente do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos.)   Para saber mais detalhes do livro, é só clicar Juiz de Fora,  cidade vanguardista de grande prestígio nas artes especialmente na literatura,   de grande vocação cultural, tornou-se   referência também em música erudita. O Centro Cultural por sua vez ajudou a gestar e apoiou o crescimento de diversas manifestações artísticas abrindo as portas de seu teatro, sua galeria sua escola, projetos culturais de outros grupos ...

Sexta-feira da Paixão Dalvinha

 

 Apesar de toda restrição e recolhimento que o dia requeria, a programação do mesmo já estava planejada com vários dias de antecedência. Sim. Estávamos prontas a vivê-lo com tudo o que reservava e oferecia. Era a saída na madrugada em busca do leite distribuído gratuitamente nas fazendas, pelos fazendeiros.
A movimentação de rua era intensa, alguns grupos se dirigiam à fazenda do Sr. Raul, outros para o lado do Geraldo Gavioli, Floriano, Daise Costa, no Belém, Laudelino Barbosa, entre outros. Previamente escolhemos o Sebastião Gallo - pai de nossa amiga Regina, e para lá nos dirigimos. Muitas pessoas já haviam chegado e, mesmo assim, o leite foi distribuído e ofertado a todos. Início do jejum pós café da manhã que terminaria ao meio dia com uma deliciosa e suculenta bacalhoada portuguesa, com certeza.

 



Pouca conversa, afazeres necessários, nada de muita arrumação. O dia requeria contemplação e oração. Às 15:00 a benção dos doentes na igreja Matriz, hora em que muitos oravam por suas curas. Descida de Jesus da Cruz com a via sacra. Neste momento, o caixão acolchoado de galhos de manjericão, alecrim e arruda, recebia o corpo. A vigília transcorria até a hora da procissão do enterro. Algumas pessoas selavam doações com moedas ali colocadas. Ao lado da igreja, no salão paroquial, a venda de velas transcorria com grande fila e animação.




À noite, o grupo JUMAC encenava a paixão e morte de Cristo no adro e dali mesmo saia a procissão. As luzes da cidade eram apagadas, somente as velas iluminavam o percurso. Correntes luminosas sob o céu estrelado e a lua cheia como testemunha. O silêncio quebrado com o barulho da catraca colocando a fila em ordem. O cheiro do incenso também se fazia presente. Em cada esquina, o canto da Veronica por Terezinha Franco expondo a Sagrada Face de Cristo, impressionava todos. Alguns pagavam promessas seguindo descalços e da Rua Riachuelo se via o cordão ainda descendo pelo Rosário. Tocos de velas eram deixados pelo caminho e no final, ao chegar à igreja, as pessoas levavam pequenas mostras de ervas ali disponíveis. As luzes da cidade eram ligadas novamente e era hora dos encontros e passeio pelo jardim que fervia de gente por todos os lados.
Era certo que em todas as casas havia a deliciosa canjica com coco e amendoim. As pessoas visitavam umas às outras para saboreá-las. Algumas distribuíam a quem necessitasse.
Alivio – quaresma vencida, terminada.



Comentários

  1. Minha mãe sempre fazia a canjica que era uma delícia.

    ResponderExcluir
  2. Dalvinha
    Li todo o Memorial e fiquei relembrando dos acontecimentos marcantes e vividos em nossa Mar de Espanha.
    Sermos citados neste memorial é uma honra.
    Parabéns pela bela iniciativa!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante para nós. Se comentar sem o email, identifique-se, POR FAVOR !