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Sexta-feira da Paixão Dalvinha
Apesar de toda restrição e recolhimento que o dia requeria, a programação do mesmo já estava planejada com vários dias de antecedência. Sim. Estávamos prontas a vivê-lo com tudo o que reservava e oferecia. Era a saída na madrugada em busca do leite distribuído gratuitamente nas fazendas, pelos fazendeiros.
A movimentação de rua era intensa, alguns grupos se dirigiam à fazenda do Sr. Raul, outros para o lado do Geraldo Gavioli, Floriano, Daise Costa, no Belém, Laudelino Barbosa, entre outros. Previamente escolhemos o Sebastião Gallo - pai de nossa amiga Regina, e para lá nos dirigimos. Muitas pessoas já haviam chegado e, mesmo assim, o leite foi distribuído e ofertado a todos. Início do jejum pós café da manhã que terminaria ao meio dia com uma deliciosa e suculenta bacalhoada portuguesa, com certeza.
Pouca conversa, afazeres necessários, nada de muita arrumação. O dia requeria contemplação e oração. Às 15:00 a benção dos doentes na igreja Matriz, hora em que muitos oravam por suas curas. Descida de Jesus da Cruz com a via sacra. Neste momento, o caixão acolchoado de galhos de manjericão, alecrim e arruda, recebia o corpo. A vigília transcorria até a hora da procissão do enterro. Algumas pessoas selavam doações com moedas ali colocadas. Ao lado da igreja, no salão paroquial, a venda de velas transcorria com grande fila e animação.
À noite, o grupo JUMAC encenava a paixão e morte de Cristo no adro e dali mesmo saia a procissão. As luzes da cidade eram apagadas, somente as velas iluminavam o percurso. Correntes luminosas sob o céu estrelado e a lua cheia como testemunha. O silêncio quebrado com o barulho da catraca colocando a fila em ordem. O cheiro do incenso também se fazia presente. Em cada esquina, o canto da Veronica por Terezinha Franco expondo a Sagrada Face de Cristo, impressionava todos. Alguns pagavam promessas seguindo descalços e da Rua Riachuelo se via o cordão ainda descendo pelo Rosário. Tocos de velas eram deixados pelo caminho e no final, ao chegar à igreja, as pessoas levavam pequenas mostras de ervas ali disponíveis. As luzes da cidade eram ligadas novamente e era hora dos encontros e passeio pelo jardim que fervia de gente por todos os lados.
Era certo que em todas as casas havia a deliciosa canjica com coco e amendoim. As pessoas visitavam umas às outras para saboreá-las. Algumas distribuíam a quem necessitasse.
Alivio – quaresma vencida, terminada.
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Comentários




Minha mãe sempre fazia a canjica que era uma delícia.
ResponderExcluirDalvinha
ResponderExcluirLi todo o Memorial e fiquei relembrando dos acontecimentos marcantes e vividos em nossa Mar de Espanha.
Sermos citados neste memorial é uma honra.
Parabéns pela bela iniciativa!
Obrigada Regina.
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