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Mês de Março Dalvinha
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Era o pior de todo o ano. Já não fazia tanto calor, e com as chuvas, o tempo ficava mais fresco prenunciando o frio. Os dias escureciam mais cedo. Retornavam as aulas nas escolas e a molecada passava fazendo arruaças.
O céu já não estava tão azul, começavam as chuvas de final de verão e com elas, as enchentes que tomavam todo o quintal e o porão de nossa casa. Todos nós ficávamos atentos. Eu sentia de longe aquele cheiro barrento que vinha com a força da água quando estourava algum açude lá para cima, ou da enchente sorrateira, mansa, quieta após a chuva forte, que chamavam de tromba d’água. Carregava tudo. Víamos descendo pelo rio cachorros, galinhas, patos, porcos: criações inteiras perdidas. Rolavam móveis, panelas, discos. Apareciam toras de árvores e quando acabava, o quintal ficava imprestável, cheio de engastalhos e cheiro de peixe morto. Acompanhava da janela e o que era mato, virava um lodaçal barrento amarelado, nojento. Era a enchente das goiabas. Quanto mais enchente mais goiaba.
Era tempo de recolhimento e as pessoas diziam que éramos pó e ao pó retornaríamos. Não se podiam ouvir músicas. O rádio era ligado nos horários de notícias, de rezas e adoração na rádio Aparecida. Não havia bailes. A quaresma custava a passar e eu morria de medo, porque minha irmã Iracema dizia que apareceria mula sem cabeça, e me fazia ouvir o tropel desta mula (e eu ouvia mesmo). Toda sexta-feira, era dia do lobisomem que rondava por ali e as almas penadas estavam prontas para chegar também.
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Comentários

Kkkkkk. A vida de criança é triste. Principalmente com os mais velhos fazendo medo na gente. Obrigada Fernando.
ResponderExcluirRealmente. Eram muitas as superstições, principalmente na época da Semana Santa.
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