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Pró-Música: uma ideia que deu certo

  Se fosse possível definir o Centro Cultural para a música em um verbo , esse verbo seria realizar. Criado em dezembro de 1971 para promover um concerto mensal de música erudita a instituição sem vínculo com o poder público ou fins lucrativos promoveu em 40 anos ininterruptos mais de 3800 eventos gratuitos para milhões de espectadores. ( do livro Centro Cultural Pró-Música, 40 anos, publicado em 2014 pela UFJF e escrito pelas jornalistas Gilze Bara e Lilian Pacce, e organizado pelo vice-presidente do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos.)   Para saber mais detalhes do livro, é só clicar Juiz de Fora,  cidade vanguardista de grande prestígio nas artes especialmente na literatura,   de grande vocação cultural, tornou-se   referência também em música erudita. O Centro Cultural por sua vez ajudou a gestar e apoiou o crescimento de diversas manifestações artísticas abrindo as portas de seu teatro, sua galeria sua escola, projetos culturais de outros grupos ...

Debret e os antigos Carnavais no Rio.

 

 

 Muito interessante o artigo sobre o entrudo que apresento aqui no blog, de forma rediagramada de autoria do Prof. André.

André Dorigo é doutor em Artes Visuais pela UFRJ e professor de História da Arte há mais de 15 anos. Foi professor na UFRJ, na UERJ, em cursos livres no Rio de Janeiro e na pós-graduação em Fotografia e Imagem da Universidade Cândido Mendes.

  Disponível em:   https://andredorigo.com.br/debret/


 

 Entrudo: Debret e as origens do Carnaval no Brasil

Dias de festa e muita diversão. Assim é o carnaval no Brasil desde os tempos em que o país era colônia de Portugal. Uma versão primitiva da folia chegou por aqui ainda no século XVI. Era o entrudo, evento popular que remontava práticas medievais que antecediam o período da quaresma. Por três dias, as pessoas ocupavam as ruas para realizar diversas brincadeiras, como jogar água, farinha, polvilho e os famosos limões-de-cheiro em quem estivesse por perto.

Porém, era comum que também jogassem tinta, lama, água suja, frutas podres e até urina, o que levava as chamadas elites a classificarem o entrudo como violento e ofensivo. No entanto, apesar de muitas das abastadas famílias não se envolverem com a festa, havia aquelas que realizavam as brincadeiras dentro de casa, com os próprios moradores, ou das sacadas, de onde jogavam água nos transeuntes.

Nas ruas, se misturavam pessoas de todos os tipos, incluindo escravos e libertos, sempre promovendo uma grande explosão de alegria contida ao longo de todo ano. Incomodadas, as elites, passaram a realizar campanhas pelo fim do entrudo, denunciando-o como um “jogo bárbaro, pernicioso e imoral”. Por isso, a partir de 1840, a manifestação popular passou a ser reprimida pela polícia, que até então não se envolvia com a festividade.

Na verdade, as mesmas elites também queriam se divertir no carnaval, mas longe do povo. Para atender a esses anseios, surgiram os bailes mascarados, de inspiração italiana, realizados em salões e teatros. Mas, apesar de a repressão ter enfraquecido o entrudo ao longo do tempo, as classes populares encontraram outras formas de cair na folia, como os cordões de rua e as escolas de samba.

 Debret e o Carnaval

A arte imortalizou o entrudo, em especial os trabalhos realizados pelo francês Jean-Batiste Debret (1768-1848), artista que integrou a Missão Artística Francesa e foi um dos fundadores e professor da Academia Imperial de Belas Artes. Ele escreveu sobre o entrudo em seu livro “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil” (1834-1839), além de a folia ter sido tema de algumas de suas pinturas.

Um ponto interessante, é a descrição que ele fez sobre o limão-de-cheiro, mostrando que seu processo de fabricação envolvia famílias de todas as classes sociais. Mas em que consistia este artefato? Tratava-se de uma esfera feita de cera, moldada em uma laranja, que possuía um orifício através do qual era injetada água perfumada, geralmente com aroma de canela.

 

Boa parte da produção de limões-de-cheiro era vendida nas ruas. “O perfume de canela, que se exala de todas as casas do Rio de Janeiro durante os dois dias anteriores ao carnaval, revela a operação, fonte dos prazeres esperados”, escreve Debret. Na tela “Cena de Carnaval” (1823), o artista retratou uma mulher negra vendendo esses objetos dos desejos dispostos em um tabuleiro.

Cena de Carnaval (1823), Jean-Baptiste Debret
Cena de Carnaval (1823), Jean-Baptiste Debret

Na mesma cena, uma outra mulher negra se prepara para atirar um limão-de-cheiro, talvez no homem que suja com polvilho o rosto de uma vendedora de frutas ou no rapaz que esguicha água em direção da venda. Assim, Debret compõe uma típica cena do entrudo. O carnaval também é tema de outras telas do artista: “Carnaval” (1827) e “Marimba – passeio de domingo à tarde” (1826).

Como podemos confirmar nos dias de hoje, seja em clubes privados ou em manifestações de rua de inúmeros tipos, o carnaval seguiu o curso do tempo, ampliando a folia semeada pelo entrudo.

 

Muito interessante o vídeo do canal Viagem no Tempo (imagens e história)  que descreve o entrudo que antecedeu o Carnaval. Chegou a ser proibido no ínício do século  XIX.

Limões de Cheiro 

Debret representa uma vendedora dos limões de cheiro, feitos de cera e contendo água perfumada.

 Limões de Cheiro

Limões de cheiro, ou laranjas de cheiro, eram as pequenas bolas de cera recheadas de águas perfumadas característica do  Carnaval do Rio, na primeira metade do  século XIX Os limões de cheiro eram manufaturados nas casas senhoriais e usados preferencialmente no Entrudo Familiar. Muitos escravos produziam limões de cheiro que eram vendidos em tabuleiros pela cidade no período do Carnaval.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lim%C3%A3o_de_cheiro

 


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