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Pró-Música: uma ideia que deu certo

  Se fosse possível definir o Centro Cultural para a música em um verbo , esse verbo seria realizar. Criado em dezembro de 1971 para promover um concerto mensal de música erudita a instituição sem vínculo com o poder público ou fins lucrativos promoveu em 40 anos ininterruptos mais de 3800 eventos gratuitos para milhões de espectadores. ( do livro Centro Cultural Pró-Música, 40 anos, publicado em 2014 pela UFJF e escrito pelas jornalistas Gilze Bara e Lilian Pacce, e organizado pelo vice-presidente do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos.)   Para saber mais detalhes do livro, é só clicar Juiz de Fora,  cidade vanguardista de grande prestígio nas artes especialmente na literatura,   de grande vocação cultural, tornou-se   referência também em música erudita. O Centro Cultural por sua vez ajudou a gestar e apoiou o crescimento de diversas manifestações artísticas abrindo as portas de seu teatro, sua galeria sua escola, projetos culturais de outros grupos ...

O telefone

 


Não sei o que chegou primeiro: se o rádio ou o telefone. Ambos apareceram em nossa  cidade depois do telégrafo ( que deve ter vindo com o trem de ferro)  e depois,  com a agência que ficava na Rua das Flores e era dirigida pelo Doquinha. Famoso centroavante do Mar de Hespanha Futebol Clube, ele tinha o hábito curioso de, jogando, enxugar o suor, com uma toalha presa ao calção.  Possuía possante chute. Dele, dizia-se que certa vez ao marcar um gol, a bola quebrara uma das vidraças da sacristia da Matriz, vinte e tantos metros além da meta...

Mas voltando ao telefone, eles foram sendo instalados rapidamente nas residências, repartições públicas e estabelecimentos comerciais e industriais. Tio Leonardo, adepto fervoroso de novidades, providencia a instalação  de uma parelho no escritório da fábrica. Ao contrário dos primeiros modelos, chamados de parede, o nosso é mais moderno.  É de mesa. Mas quem fala não prescinde ainda da ajuda da telefonista. Encantado com a novidade, estou sempre  usando e abusando do aparelho, apenas para dizer... —Alô, quem fala?

O comerciante sírio Miguel  Nemer, estabelecido com sua venda na praça Barão de Aiuruoca, rende também ao progresso: manda instalar telefone.. Ele sabe que distante do seu estabelecimento vinte ou trinta metros, encontra-se o escritório do prestigioso político e forte comerciante do café, Tenente Ademar Martins, que também já desfruta de telefone. O prazer de Nemer é pedir à telefonista que o ligue com o amigo. Ao ser atendido, vai logo perguntando em voz alta:

— É o tenente Ademar?

— Sim, sou eu.

— É o tenente Ademar Martins? Grita mais alto ainda.

Ademar Martins perde a calma ao perceber que a voz do vizinho atravessa a praça e chega aos  seus ouvidos  fora do fio...

— Ô Nemer, estou ouvindo você daí berrar meu nome! Com telefone, não precisa gritar tanto assim, homem!

Extraído do livro " Antes que a luz se apague " de Nicola Falabella Memórias 2003, Ed. Gráfica Lê, Belo Horizonte


 

Era comum esse pedido da companhia para que o usuário falasse mais baixo ao telefone.

 

 

Muito interessante esse documento da Companhia Telefônica de Minas Gerais que era a chamada interurbana com serviço de  mensageiro. A pessoa recebia o aviso e teria de se dirigir à Central Telefônica, localizada na época na Avenida Bueno Brandão. ( Cedido pela visitante e colaboradora Silvana Mattos).



Fernando Pinheiro

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