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Pró-Música: uma ideia que deu certo

  Se fosse possível definir o Centro Cultural para a música em um verbo , esse verbo seria realizar. Criado em dezembro de 1971 para promover um concerto mensal de música erudita a instituição sem vínculo com o poder público ou fins lucrativos promoveu em 40 anos ininterruptos mais de 3800 eventos gratuitos para milhões de espectadores. ( do livro Centro Cultural Pró-Música, 40 anos, publicado em 2014 pela UFJF e escrito pelas jornalistas Gilze Bara e Lilian Pacce, e organizado pelo vice-presidente do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos.)   Para saber mais detalhes do livro, é só clicar Juiz de Fora,  cidade vanguardista de grande prestígio nas artes especialmente na literatura,   de grande vocação cultural, tornou-se   referência também em música erudita. O Centro Cultural por sua vez ajudou a gestar e apoiou o crescimento de diversas manifestações artísticas abrindo as portas de seu teatro, sua galeria sua escola, projetos culturais de outros grupos ...

Feliz por nada

 


Geralmente quando uma pessoa exclama “Estou tão feliz!” é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos,  perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo,  mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro sentir feliz apenas por atingimento de metas.  Muito melhor é ser feliz por nada.

Digamos:  feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas.  Feliz porque alguém lhe elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

 Esquece.  Mesmo sendo motivos prosaicos,  isso ainda é ser feliz por muito.

 Feliz por nada,  nada mesmo?

 Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza.” Faça isso, faça aquilo” A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho? Particularmente,  gosto de quem tem compromisso com alegria,  que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa para valer,  e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros.   Mas não estando alegre,  é possível ser feliz também.  Não estando “realizado” também.  Estando triste,  felicíssimo igual.  Porque  felicidade é calma.  Consciência. É ter talento para aturar o  inevitável, é  tirar algum proveito do imprevisto,  é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa,  como é que foi acontecer comigo? Pois é,   são os efeitos colaterais de se estar vivo.

 Benditos os que conseguem se deixar em paz.  Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções,  que não se culpam por terem falhado,  não se torturam por terem sido contraditórios,  não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

 Se é para ser mestre alguma coisa,  então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à  sociedade ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade, simultaneamente? É uma senhora ambição.  Demanda energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

 A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades,  sua cor preferida,  seu prato favorito,  que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é,  um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

 Ser feliz por nada talvez seja isso.                    02 de maio de 2010

 

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