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Pró-Música: uma ideia que deu certo

  Se fosse possível definir o Centro Cultural para a música em um verbo , esse verbo seria realizar. Criado em dezembro de 1971 para promover um concerto mensal de música erudita a instituição sem vínculo com o poder público ou fins lucrativos promoveu em 40 anos ininterruptos mais de 3800 eventos gratuitos para milhões de espectadores. ( do livro Centro Cultural Pró-Música, 40 anos, publicado em 2014 pela UFJF e escrito pelas jornalistas Gilze Bara e Lilian Pacce, e organizado pelo vice-presidente do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos.)   Para saber mais detalhes do livro, é só clicar Juiz de Fora,  cidade vanguardista de grande prestígio nas artes especialmente na literatura,   de grande vocação cultural, tornou-se   referência também em música erudita. O Centro Cultural por sua vez ajudou a gestar e apoiou o crescimento de diversas manifestações artísticas abrindo as portas de seu teatro, sua galeria sua escola, projetos culturais de outros grupos ...

Quem matou Pacífico filme

 



 

Mar de Espanha foi o cenário de algo inusitado nos  idos de 1977. Algo inédito para os mardespanhenses  que tiveram a  oportunidade de aprender um pouco sobre  como um filme é feito , conviver com a rotina das filmagens e conhecer várias celebridades do cinema nacional. E a cidade se trsnsformou em Parada de Deus quando sediou as filmagens de “Quem matou Pacífico” dirigido por Renato dos Santos Pereira,  baseado num romance da escritora Maria Alice Barroso que faleceu aos 82 anos em 2012  em Juiz de Fora

Maria Alice Barroso
Maria Alice Barroso, nasceu  na cidade e Miracema nos estado do Rio de Janeiro em 1926. No entanto, sempre fez questão de colocar em todas as suas biografias lançadas no Brasil e no exterior que nasceu na pequena Miracema, região Noroeste Fluminense. Fazia, com isso, o percurso inverso de muitos que nascem no interior e se esquecem do seu torrão ao alcançar alguma visibilidade . Foi  diretora do Instituto Nacional do Livro, da Biblioteca Nacional e do Arquivo Nacional.

 https://anovademocracia.com.br/maria-alice-barroso-uma-militante-da-pena-e-do-talento/

Parada de Deus: onde o diabo está à solta. As montanhas de Minas Gerais escondem inùmeros mistérios. E é nesse cenário lúgubre que repousa Parada de Deus, uma pacata cidadezinha do interior com seus personagens típicos. O barbeiro fofoqueiro, o delegado astuto e observador, o prefeito violento e autocrático, a gente simples da terra. Todos eles vivem em plena harmonia até o momento que ocorre um crime hediondo: o assassinato do coronel Pacífico(Milton Villar), o mais rico e poderoso fazendeiro da região. Desencadeia-se assim a busca incessante ao criminoso. Investigações, interrogatórios e até uma reconstituição do crime é realizada para elucidar o mistério.

 

 

A cena no início do filme representa o Coronel Pacífico (Milton Villar) vindo de sua fazenda e se dirigindo à casa de sua amante Luzia (Kátia D'Angelo) que ficava perto do cemitério, onde é assassinado. A cena é muito expressiva e foi filmada com a ajuda de um caminhão pipa, para simular a chuva, enquanto que os relâmpagos eram sugeridos  por meio de um maçarico, geralmente usado em oficinas mecânicas para a solda de peças, devido à grande claridade que provoca. Os efeitos sonoros eram editados depois. Assistir a essas filmgens foi um privilégio para nós que passamos a conhecer mais de cinema.

ELENCO

O filme contou com um elenco de primeira categoria. E o que é interessante ressaltar é que algumas atuações de  determinado ator ou atriz, mesmo que insignificantes, quase confundidas com uma mera figuração, escondem currículos invejáveis de inúmeros programas de rádio, novelas,  filmes e peças teatrais ou uma formação densa na arte dramática, contando com  premiações nacionais e internacionais.

 

Cléia Simões

Esther Alexander Andrade,  que usava o nome artístico de Cléia Simões, nasceu na cidade de Belém, capital do Pará, em  1927.

Formada em Teatro e diretora por 25 anos da escola de samba Portela, ela viveu a maior parte da sua vida na cidade do Rio de Janeiro.

Cléa estreou como atriz no Teatro, em 1964, no espetáculo “Mister Sexo ou a Ilha de Circe”. Nos palcos ainda atuou em “Do Mundo Nada Se Leva”; “As Feiticeiras de Salém”; “Pindura Saia”; “Frank Sinatra 4.815” e “Tupá, a Vingança”.

Em 1965, ela estreou na Televisão, na TV Globo, em uma de primeiras novelas da emissora, “A Moreninha”, estrelada por Marília Pêra. Depois esteve em “Eu Compro Esta Mulher”, de 1966; “A Rainha Louca” de 1967; “Bandeira 2″ de 1971; “Uma Rosa Com Amor” de 1972; “Senhora” de 1975; “Vejo a Lua no Céu” de 1976 e “Sem Lenço, Sem Documento” de 1977.

Em 1978, veio sua grande oportunidade na TV ao viver a Mamãe Dolores na versão da TV Tupi para a clássica “O Direito de Nascer”. Cléa Simões faleceu em 2006, em Niterói,  aos 79 anos de idade.  Atuou no filme como Maria Rezadeira.

Jofre Soares
 

Nasceu em 1918 em Alagoas. Foi oficial da Marinha por 25 anos, carreira com a qual dividia paralelamente com os espetáculos de teatro e circo, no qual era palhaço. Sua estreia no cinema ocorreu apenas em 1968, quando o cineasta  Nélson Pereira dos Santos o conheceu e o convidou para fazer o filme  Vidas Secas, baseado na obra de Graciliano Ramos. Faleceu em 1996 aos 77 anos. Desempenhou no filme o papel do delegado Tonico Arzaõ, encarregado de desvendar o crime.

 Ruth de Souza

 

Disponível em :

https://www.papodecinema.com.br/artistas/ruth-de-souza/


 Ruth Pinto de Souza nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1921. Foi a primeira atriz negra a subir ao palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro com a peça O Imperador Jones, do  dramaturago norte-americano  Eugene O'Neill. Mais tarde, recebeu uma bolsa de estudos da Fundação Rockefeller e passou um ano nos Estados Unidos, estudando na Universidade de Harvard e na Academia Nacional do Teatro.

Apesar de ter nascido no Rio, passou a infância em uma fazenda em Minas Gerais. Era filha de um lavrador e de uma lavadeira. 

 Destacou-se  internacionalmente por seu papel como Sabina em Sinhá Moça (1953), pelo qual recebeu inúmeros elogios da crítica nos festivais de Berlim e Veneza. Na década de 1950, participou de radionovelas e começou a atuar nos teleteatros da TV Tupi.

Sempre pioneira,  a atriz em 1968, integrou ao elenco da TV Globo, onde se tornou a primeira atriz negra a protagonizar uma telenovela em A Cabana do Pai Tomás (1969). Faleceu aos 98 anos em 2019. No filme, Ruth foi mulher do coronel Pacífico.

Milton Villar

 


Nascido em 1930, Milton foi um ator brasileiro com atuação em rádio cinema, teatro e TV. Entre os muitos trabalhos do ator,estão os filmes “Eles Não Voltaram”, “007 ½ no Carnaval”, “A História do Aleijadinho”, “Os Sensuais - Crônica de Uma Família Pequeno-Burguesa”, “A Deusa Negra/La Desse Noire” (Brasil/Nigéria) e “Os Três Mosquetiros Trapalhões”. No filme, desempenhou o papel do coronel Pacífico e faleceu em 1980, alguns anos após as filmagens

Kátia D'angelo 



https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/katia-dangelo-a-toninha-de-anjo-mau-e-sex-symbol-dos-anos-70-critica-a-beleza-feminina-atual.ghtml

 Nascida na capital do estado do , trabalhava como instrumentadora cirúrgica antes de entrar para a carreira artística. Em 1974 estreou nas telas da Tv na telenovela  Supermanuela da  Rede Globo, onde também  atuou em telenovelas  famosas, como  Escalada, Anjo Mau e Nina.Em 1979 fez seu filme de maior sucesso, O Caso Cláudia, baseado no famoso caso do homicídio de  Cláudia Lessin Rodrigues, ocorrido no Rio de Janeiro. Interpretou  no filme, Luzia, a amante do coronel Pacífico.

Jece Valadão 



https://www.papodecinema.com.br/artistas/jece-valadao/fotos/

Nasceu em 1930 em Campos dos Goytacazes, estado do Rio. Foi ator, diretor e produtor brasileiro. Valadão fez parte do elenco das primeiras montagens de Perdoa-me por traíres eos Sete Gatinhos, ambas  peças de  Nélson Rodrigues— então seu cunhado — e que o considerava o ator perfeito para suas peças.  Foi ator e sobretudo produtor de comédias e filmes policiais eróticos. Uma de suas últimas participações na televisão foi na série Filhos do Carnaval, onde interpretou um  bicheiro dono de uma  escola de samba O papel de bicheiro também foi representado pelo ator nos filmes Boca de Ouro, Amei um Bicheiro e Deu Águia na Cabeça.  No filme, foi o piloto que chegou à Parada de Deus e se envolve com Luzia

Disponível em :https://pt.wikipedia.org/wiki/Jece_Valadao


 Lícia Magna


Lícia nasceu em 1909 em Guaxupé, Minas Gerais. No cinema, participou de clássicos como Assalto ao trem pagador (1962), de Roberto Farias,  Vai trabalhar  Vagabundo de Hugo Carvana.

 Foi uma das mais antigas contratadas da  Rede Globo. Teve  destaque em novelas como  Carinhoso (1973). Participou de outras novelas como Véu de Noiva,  Selva de Pedra(1972),  Pai Herói (1979), Sétimo Sentido (1982),  Roque Santeiro (1985),  A Próxima Vítima em 1995  e Cubanacan (2003). Seu último trabalho na televisão foi uma ponta em  Cobras e Largatos, exibida em 2006. Em seus quase 60 anos de carreira, Lícia Magna participou de mais de 20 telenovelas e 30 filmes.Faleceu em 2007 aos 98 anos.  Interpretou a cafetina Chinesa.


Um trecho do filme "Quem matou Pacífico" de 1977 (Vila Rica Produções Cinematográficas e Warner Home Video) que destaca a atuação da atriz Lícia Magna falecida em 2007. Lícia participou de 20 telenovelas e 30 filmes. Chinesa era uma mulher rica que ajudava muita gente em dificuldade e mantinha uma casa de prostituição em um sítio perto da cidade. Por ocasião de seu aniversários, as meninas saem seminuas em cavalgada pela cidade, escandalizando todos os moradores de Parada de Deus (Mar de Espanha)

Disponível em : https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADcia_Magna

Roberto Bonfim

https://observatoriodatv.uol.com.br/noticias/roberto-bonfim-e-confirmado-no-elenco-da-novela-reis

 
Nasceu em 1945 no Rio de Janeiro e conta atualmente com 78 anos. Particiou de várias novelas de Janete Clair  de  grande sucesso como  Irmãos Coragem, onde interpretou um bandido que raptava a Índia Potira. Em 1972, foi convidado para entrar no elenco de Selva de Pedra,  na metade da produção, como uma das formas de movimentar a trama que não era bem aceita pelo público. Em seguida, vieram  O Semideus, em 1973, e  Fogo sobre Terra, em 1974, também escritas por Janete. No filme ele interpreta o filho de Maria Rezadeira, o Péla-égua, amante de Luzia e suspeito do assassinato do coronel Pacífico.

 Rodolfo Arena

 


O paulista Rodolfo Arena, nascido na cidade de Araraquara, foi um dos mais atuantes atores do nosso cinema, tendo participado de quase cem filmes em uma carreira que durou 50 anos.

A carreira começou nos picadeiros de circo em 1920, com apenas dez anos de idade e, somente no final da década de 30 ele trocou a lona pelos palcos de teatro, onde participou de mais de 200 espetáculos em toda a sua carreira.

No circo ele fazia humor como palhaço e também participava de pequenas esquetes teatrais. Sua grande participação no cinema, ele fez menos filmes apenas do que Wilson Grey, começou de verdade em 1945, quando esteve no elenco de “Vidas Solitárias”. Interpreta no filme o professor

Estelita Bell 

Estelita nasceu no Rio de Janeiro em 1910. No teatro iniciou em 1934, na Companhia Teatral de  Procópio Ferreira, onde atuou em várias peças. Depois fez diversos trabalhos para emissoras de TV. Na Rede Globo atuou nas novelas:  Irmãos Coragem,  Assim na Terra como no Céu,  Chega Mais,  Quatro por quatro,  O  Fim do Mundo,  Salsa e Merengue e muitas outras. Fez os programas humorísticos Chico City Chico Total  e Escolinha do Professor Raimundo. Estelita  se destacou também como dubladora de inúmeros filmes e desenhos como a bruxa de Branca de Neve e os sete anões, a Madame Min (A espada era a lei). Sua voz era muito conhecida por todos. No filme "Quem Matou Pacífico atuou como Dona Paula, mãe do coronel Pacífico e de  seu irmão, o prefeito da cidade fictícia de Parada de Deus. Disponibilizamos a cena  do filme.


 José Steimberg
 
Nasceu
em 1932 e hoje conta com 92 anos. Fez o papel de engenheiro francês  que tinha um caso com Luzia, amante do coronel Pacífico. Ficou muito conhecido pelo papel de bondoso padre que desempenhou na novela Chica da Silva. Atuou em várias novelas e filmes
Edson Silva 
Era natural de Juiz de Fora, onde nasceu em 1935. Atuou em uma infinade de filmes, novelas e peças teatrais. Fez o papel do barbeiro fofoqueiro no filme. Edson se tornou conhecido também por inúmeras dublagens
 
 
 
 
 
Emmanuel Cavalcanti
 
 
Ator brasileiro nascido em 1936. Destacou-se  nos filmes "
Terra em Transe" e o "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro", ambos dirigidos por  Glauber Rocha Além de Glauber, trabalhou com outros diretores como  Cacá Diegues, em "Bye Bye, Brasil";  Sérgio Ricardo, em "A Noite do Espantalho"; e  Nélson Pereira dos Santos, em "El Justicero", "O Amuleto de Ogum" e "Tenda dos Milagres". No filme atuou como o prefeito da cidade, irmão do coronel Pacífico.
 
 
 
 
 A escritora Maria Alice Barroso foi pioneira na adaptação dos modelos do romance policial norte-americano e europeu à narrativa policial brasileira.

 



 


Compartilho aqui a primeira página do romance de Maria Alice, e logo em seguida a sua adaptação às telas.  São gêneros textuais distintos, um não sendo subalterno ao outro, como geralmente os visualizamos. São linguagens diferentes

“...O morro que leva o cemitério de nossa cidade é quase  uma rampa, de áspera subida: porém de qualquer ponto, em

 Parada de Deus divisamos as cruzes caiadas de branco e no  forte verão que se abate sobre a cidade , de janeiro a março,  as  labaredas de fogo-fátuo dão uma estranha forma de vida  àquele território dos mortos.

 Naquele Finados, no ano de 1947, sucedendo a três dias de calor forte,  chovera grosso,  com intervalos que pareciam te encomenda,  possibilitando aos moradores de Paradas de Deus subirem o morro enlameado para levar flores a seus mortos: fora aquele,  um Finados mais sombrio  e triste do que habitualmente costuma ser essa data nas pequenas cidades do interior brasileiro: a chuva despejada sobre a cidade não fora suficiente para limpar o céu,  cujas nuvens grossas e baixas  lembravam a cobertura encardida e entufada das lonas de circo,  enquanto as árvores pareciam se curvar em reverências, dobrados por um vento insistente  que zunia em nossos ouvidos  como um barulho de mau agouro. Os habitantes voltavam  dos cemitério já encharcados pela chuva que caíra de novo,  os sapatos barrentos pesados, como a lama  do caminho.

 Muitos haviam subido pela manhã, sem temerem o  mau tempo,  para colocar na sepultura dos parentes as coroas de latão,  com suas faixas descoradas pelo tempo,  que eram utilizadas apenas nessa data,  voltando a ser guardadas num canto escuro da casa ao final do dia. O povo humilde de roça vinha de longe sobraçando as pequenas e alegres flores do mato para colocar nas covas rasas, que só podiam ser localizada devido à simples cruz de madeira com o número pintado em tinta preta.

 Porém quando a noite fechar a sua Parada de Deus, aquele movimento intercalado de pessoas que buscavam, a  apressuradas, a rampa  que conduzia ao cemitério,

 Desapareceu, e então os lampiões de luz pareceram mais solitários ainda:  muito embora apenas garoasse, as janela das casas permaneceram cerradas  e a rua Direita,  a principal da cidade se transformara num corredor vazio de um casarão abandonado.

 Talvez pelo silêncio e o ar  deserto das ruas, os poucos que ouviram e os poucos que viram não mais se esqueceram das vozes de um homem e uma mulher discutindo, não em tom exatamente alto, mas com aquele vigor contido de quem fala baixo para não se permitir gritar; mas  somente os moradores do Beco dos Infernos —  labirinto de casas habitado pela gente negra e pobre da cidade— puderam  reconhecer testemunhar quem era a moça de cabelos vermelhos e o rapaz de blusão de couro que parados junto ao portão do cemitério continuavam discutindo: por ali passaram a  Rozenda-dos-Cachorros crioula meio louca,  sempre acompanhado de sua matilha de cães vira-lata,  e os vizinhos ouviram a mulher resmungar, entremeando as palavras com seu riso de bêbada:

— Ele diz que mata ela e os amantes dela, eh,eh,!  Diz que mata ela e os amantes dela ,quá...

A cidade estava inteiramente adormecida e dos telhados as goteiras despejavam torrentes de água com duas detonações denunciaram  o baque de um corpo no caminho que vai o cemitério à  casa do coveiro Joãozão:  momentos antes de um homem corpulento, de gabardine  chapéu escuros , subira o  morro,  passando  entre as sepulturas como se elas não existissem,  olhos fixos na casinha branca, lá no alto,  onde moravam  o coveiro e sua filha; o homem trazia um sorriso no rosto moreno e bochechudo e nesse sorriso brilhava um dente de ouro bem no centro da boca; homem arfava pelo esforço da subida mas nem mesmo assim diminuía o passo largo das pesadas botas chapinhando na torrente de água enlameada que descia porém das catacumbas. Dentro de si ele era como um adolescente caminhando por uma planície cheia de sol ao encontro de sua namorada. Seu empenho e abstração pelo o que sei que o cercava, era um tamanhos, que mesmo após o primeiro tiro ele ainda deu um passo quando outro tiro se seguiu,  ele não mais o ouviu,  sensível tão somente àquele esvaziar dentro do seu corpo, aquela rápida e progressiva ausência de vida, até que tombou,  o corpo estendido no chão,   rosto de lado,  enquanto a boca entreaberta, o grande dente de ouro continuava a luzir como única manifestação da vitalidade subtraída daquele corpo

Extraído do livro Quem matou Pacífico de Maria Alice Barroso, 3ª edição Editora Record

 

                          Primeira parte do filme


 
 
                               Parte II
 
                              Parte III
 
                                 Parte IV
                                Parte V
                                 Parte VI
                                 Parte VII
                                   Parte VIII
                                   Parte final


Comentários

  1. Em meio ao nosso cotidiano convivemos com este elenco pelas ruas da cidade e fazer parte das filmagens era nosso objetivo maior.

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