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Herança Sírio-libanesa
“A maior concentração de libaneses fora do Oriente Médio está no BRASIL, que tem aproximadamente mais de 7 milhões de brasileiros de ascendência libanesa,
tornando a população do BRASIL de libaneses quase o dobro de toda a população do LÍBANO”
Jorge Alberto Buchabqui, a imigração sírio-libanesa
pelas memórias de Tanou
“Quando ocorreu a derrubada do antigo casarão da praça, veio na memória a lembrança do antigo dono e morador daquela casa. Ele era meio que moreno claro, nariz afilado, de bigode. Usava quase sempre camisas de cores claras, brancas mesmo e calça preta ou azul marinho. Eram de um tecido fino quebradiço, que mais tarde descobri que o nome era cambraia de linho. Sua esposa era alta, clara, de olhos claros, muito bonita e arrumada, estava sempre alegre pelas falas que eu ouvia ao passar e parar por ali. É que eles tinham uma venda de tecidos, aviamentos de costura, chapéus, botas e inúmeros artigos para casa. O forte mesmo eram os tecidos estampados, os lisos de diversas cores, brocados e os listrados. Entre um mandado e outro de minha mãe, lá ia eu importunar aquele homem, pedindo que me informasse o nome daqueles panos. Gostava de ver e tocar, sentir a textura e de ouvir ele falar e me mostrar pacientemente o que estava exposto no balcão. Adorava ouvi-lo dizer “bano “ao invés de pano. Foi daí que me surgiu a ideia de conhecer melhor os sírios e libaneses de nossa cidade.” Texto de Dalva Magalhães
“Meu Líbano, reservaste-me para o triste outono teus poentes mais belos e mais coloridos, para distrair meu pensamento da morte das folhas, e fazer-me esquecer que é preciso cair. E deste-me tuas tâmaras outonais. As longas palmeiras, minaretes dos pássaros que sabem cantar e orar, estão todas inclinadas, e expõem suas ricas safras. E o mirto, e a azeitona verde, e à azeitona negra, vieram oferecer-se. Tudo aceitei ”
Haddad, Marie. Meu Líbano Este é meu Líbano, Mansur Chalita, 1976, p.28 e 29.
Interessante o seguinte trecho do romance de Jorge Amado, Grabriela Cravo e Canela, onde o autor trata dos estereótipos:
“De árabe e turco muitos o tratavam, é bem verdade. Mas o faziam exatamente seus melhores amigos e o faziam numa expressão de carinho, de intimidade. De turco ele não gostava que o chamassem, repelia irritado o apodo, por vezes chegava a se aborrecer:
– Turco é a mãe!
– Mas, Nacib...
– Tudo o que quiser, menos turco. Brasileiro – batia com a mão enorme no peito cabeludo – filho de sírios, graças a Deus.
– Árabe, turco, sírio, é tudo a mesma coisa.
– A mesma coisa, um corno! Isso é ignorância sua! É não conhecer história e geografia. Os turcos são uns bandidos, a raça mais desgraçada que existe. Não pode haver insulto pior para um sírio que ser chamado de turco.
– Ora, Nacib, não se zangue. Não foi para lhe ofender . É que essas coisas das estranjas pra gente é tudo igual...”
[...]
Árabes pobres, mascates das estradas, exibiam suas malas abertas, berliques e berloques, cortes baratos de chita, colares falsos e vistosos, anéis brilhantes de vidro, perfumes com nomes estrangeiros, fabricados em São Paulo.
Mulatas e negras, empregadas nas casas ricas, amontoavam-se ante as malas abertas:
– Compra, freguesa, compra. É baratinho... – a pronúncia cômica, a voz sedutora.
Longas negociações. Os colares sobre os peitos negros, as pulseiras nos braços mulatos, uma tentação! O vidro dos anéis faiscava ao sol que nem diamante.
– Tudo verdadeiro, do melhor.”
(Jorge Amado, Gabriela, cravo e canela
Segundo Dalva Magalhães, sempre muito interessada em Educação Patrimonial e que pesquisou muito o assunto, se valendo de relatos orais, — esses imigrantes criaram seus próprios negócios de comércio e venda de artigos de primeira necessidade, utensílios domésticos, adornos, tecidos de cama, mesa e banho, enxovais, perfumes, aviamentos para costura, calçados, entre outros.
“Destaco como motivação da vinda para o Brasil as dificuldades econômicas e políticas na terra natal, buscando encontrar aqui melhores condições de vida. Afirmo que eles se concentraram na mascateação, enquanto atividade provisória, e ao comércio”. ressalta Dalva
E ainda segundo ela “o período mais relevante desta imigração para o Brasil, ocorreu nos anos de pós-guerras e na década de 1920 (quando estavam sob domínio francês). O número mais significativo de chegada dos libaneses em Mar de Espanha foi na última década do século XIX. Começaram a se fixar em 1912, aproximadamente.
Na praça central se destaca o estabelecimento de Fuad Azzi, irmão de Aniça com uma infinidade de artigos para presentes, calçados e vestuário em geral – feminino, masculino e infantil – artigos para cama, mesa e banho, mais utensílios domésticos.
Outro também que se destacou no comércio do centro da cidade foi Rezzala Adum (Pai de Antônio Adum e Heifa), seu estabelecimento primava em linhas e aviamentos de costura, muito tecido e brinquedos.
O de Miguel Nemer, como já mencionado anteriormente, oferecia uma variedade extraordinária de tecidos, sapatos, botas e aviamentos diversos.
A loja de Tereza Adum, Imelina e Nagibe não ficava para trás, e além desses artigos, possuíam perfumes franceses, linhas da ilha da madeira, linho panamá, louças chinesas e peças como vasos, suportes ornamentais, entre outros.
O comércio de Miguel Zaiter era no Largo do Rosário.
Havia também o comércio com seus patrícios, em que levavam café de nossa cidade para o Líbano, e traziam ouro para negociar, como no caso de José Simão.
“Sou bisneta de imigrantes sírios libaneses. Meus antepassados vieram do Líbano, (meus bisavós) da cidade de Medjel. Como acontece em muitos países, o Líbano também viveu seus momentos de crise. O Brasil foi escolhido por meus bisavós, pelo fato de já terem vindo para cá, mais precisamente para o distrito de Sarandy, alguns amigos seus.
A viagem foi feita pelo mar, parando na França, para depois continuar a mesma, que durou um mês. Logo que chegaram, foram recebidos por seus amigos que aqui já moravam.
Como todo início de vida, meu bisavô trabalhou duro, como mascate, durante algum tempo. Vendia de tudo um pouco: tecidos, roupas, calçados, chapéus... A dureza do trabalho,
levou-o a dormir, algumas vezes ao relento. Mas, o “Criador de todas as coisas”, não deixou que faltassem oportunidades para ele, meu bisavô, Miguel Nemer. Tornou-se época, o comerciante mais importante da região. No correr do tempo, mandou vir para cá meu avô, filho único, Pedro Nemer.
Na vinda de Miguel Nemer para o Brasil, deixou no Líbano o meu avô, Pedro Nemer, que ficou sob os cuidados da tia Alexandrina. Ele só chegou ao Brasil aos 16 anos, ocasião que meu bisavô já estava em situação financeira cômoda. Eles vieram de navio, que ficou ancorado em Paris por um mês, e, ao chegarem a Mar de Espanha de trem, foram recebidos com uma banda de música."
A festa durou uma semana.
Nesta época, meu bisavô Miguel tinha o Sr. Raimundo Meier (Mundinho), como professor, que ensinou para eles a língua portuguesa, os números, e outros conhecimentos necessários.
Meu bisavô, José Antônio Alves, que percorreu a mesma lida de mascate, comprou a fazenda da Tocaia, do Coronel João dos Santos e de sua esposa, Maria Augusta, em 1920. Tornou-se dono da fazenda, famosa por suas terras fertilíssimas.
Fazenda da Tocaia onde se desenrolou grande parte dessa história.
A capela da Tocaia ficava no salão de entrada da fazenda. Ela permanecia fechada, em virtude de não ter moradia permanente na casa. Porém, uma família que zelava pelo casarão, abria-o toda semana, e fazia a manutenção da capela. Quando os familiares estavam lá de férias, a capela permanecia aberta e ali eram feitas as orações devocionais todas as noites.
No fundo do casarão havia uma varanda de pedra, onde a família se reunia para fazer serestas.
Sr. Pedro Nemer, avô de Jussara
Todos os dias pela manhã saia um carro de bois com destino a Chiador, e regressava à tarde, trazendo recados de telefonemas e compras de artigos que a fazenda não produzia (macarrão, farinha, tecidos).
Habitualmente a família se reunia na Tocaia nos períodos de férias escolares.
A fazenda tinha um carro Ford, que era um sucesso na época. Era neste carro que nós íamos para a Tocaia, passando pela Minerva.
Meu bisavô, José Antônio, foi exportador de café. Não teve oportunidade, ou, não quis voltar ao Líbano, embora a saudade fosse grande.”
A cozinha tradicional do Líbano combina a abundância de frutas e verduras frescas. A base dos pratos é, somente, o emprego de cereais e legumes, podendo-se repetir em muitos pratos os mesmos ingredientes, mas com distintas formas de preparação. Empregam-se iogurtes, queijos, pepinos, beringelas, ervilhas, nozes, tomates e sésamo em todas as suas formas: semente, em pasta ou em azeite.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Culin%C3%A1ria_do_L%C3%ADbano
Emprega-se também azeites vegetais, entre eles o azeite de oliva para fritar alguns alimentos, sendo freqüentemente o emprego de manteigas .
Ingredientes
1/2 kg de trigo para quibe
1 litro de litro de água fervente
+ 2 cubos de caldo de carne
1/2 kg de carne moída 2 vezes
2 cebolas médias picadas
1/2 xícara (chá) de salsa picadinha
2 colheres (sopa) de hortelã picada
3 dentes de alho triturados
1 colher (sobremesa) de pimenta síria
Manteiga ou margarina para untar
Azeite de oliva para regar
Recheio
300 g de carne moída
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
1 cebola grande picada
1 dente de alho triturado
2 tomates picadinhos
Sal e pimenta a gosto
Deixe o trigo de molho na água quente com o caldo de carne até amornar. Escorra, esprema bem o trigo para retirar toda a água e junte a carne e os demais ingredientes. Amasse até dar liga e ficar fácil de manipular.
Modo de Fazer
Refogue a carne no azeite até ficar soltinha e junte a cebola e o alho. Refogue um pouco mais, adicione o tomate e tempere com sal e pimenta a gosto. Retire do fogo quando o tomate cozinhar.
Montagem
Unte um refratário retangular com manteiga ou margarina (32 x 22 cm) e forre o fundo e as laterais com a massa de trigo. Recheie com a carne refogada e cubra com a massa restante. Trace losangos ou quadrados superficiais com a ponta de uma faca para facilitar o corte depois de assado e regue com azeite.
Asse em forno médio-alto preaquecido (220 °C), em banho-maria, coberto com papel-alumínio, por cerca de 40 minutos. Descubra e asse em temperatura mais baixa até dourar (cerca de 15 minutos).
https://anamariabraga.globo.com
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