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Os Bailes dos anos 50, 60 e 70
Fernando Rangel
Bailes dos anos 50, 60 e 70
Os clubes como espaço de socialização
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O termo club tem sua origem na língua inglesa e designa o local de reunião de pessoas seletas e já era bem difundido no Brasil do século XIX.
Muitos lugares, destinados ao entretenimento e reunião, recebiam o nome de clube e desenvolviam atividades variadas. Os clubes da elite carioca representavam um espaço de lazer para privilegiados, tinham um sentido político e social de grande importância e peso na conservação do status quo.
“A importância dos clubes recreativos” como espaços de convivência, de (re) definição de identidades, de oportunidades para o exercício da amizade, de extensão da rede de relações e poder, foi observada não somente pelas elites, mas também por pessoas de outras categorias sociais como os trabalhadores urbanos e aqueles pertencentes a grupos étnicos como italianos, japoneses e negros.
Portanto, “os clubes eram instituições informais espalhadas pelas inúmeras cidades do país congregando pessoas de diferentes status social e étnico, desde o final do século XIX.” Como nos afirma Janete Leiko Tanno em sua pesquisa “Clubes recreativos em cidades das regiões sudeste e sul: identidade, sociabilidade e lazer “(1889-1945)
Nós tínhamos a nossa casa e tínhamos o Club. Era uma espécie de apêndice, um complemento da nossa vida.”
Os salões de baile das sociedades recreativas assumiram um protagonismo muito importante no tempo dedicado ao lazer das pessoas e no seu divertimento .
As moças iam sempre acompanhadas dos pais e se notava a presença de todas as idades no clube —e no final dos anos 60 foi acrescentada outra modalidade recreativa a ser somada às que já existiam anteriormente: a piscina que se popularizou nessa época.
Mais do que isso, o Clube funcionava como espaço propício para a sociabilidade, em que os padrões gestuais, de comportamento e de educação podiam ser observados, possibilitando fazer distinções entre os frequentadores, e a escolha dos melhores pretendentes, tanto para os moços quanto para as moças casadoiras, num claro intento de preservação de status e de consciência do lugar social ocupado na sociedade,
Como se pôde notar, as elites sempre tiveram a preocupação de se reunirem em locais exclusivos para a demonstração de sua riqueza, de sua elegância e de seu status e estes funcionavam como lugares privilegiados consolidação de relações sociais, econômicas e também políticas
Os clubes recreativos, para exercer suas funções, tinham que apresentar seu estatuto nas delegacias de polícia para que pudessem ter o registro oficial e atuar legalmente na sociedade. Dessa maneira, procuravam realizar somente atividades lícitas e assim diferenciarem-se de outros grupos ligados a práticas condenadas e perseguidas pela polícia como os jogos ilícitos, os bailes promovidos em botequins e cortiços da cidade.
(SIQUEIRA, 2009, p.177).
Ana Carlota Mattos em companhia de suas irmãs por ocasião de um baile.
https://www.youtube.com/watch?v=H2di83WAOhU
Um dos grandes sucessos dos anos 50 com o grupo “The Platters “que emocionou gerações que se rendiam à atmosfera romântica da canção“ Smoke gets in your eyes”
Os frequentadores desses espaços informais criavam uma rede de sociabilidade abrangente que poderia gerar dividendos de várias ordens como relações de amizade, matrimoniais, políticas e econômicas para a conservação do status quo ou para a inserção e ascensão social dos grupos marginalizados.
A participante do grupo Dalva Magalhães nos conta um pouco do que sentia na época dos bailes que marcaram época
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O Baile de Debutantes
A palavra debutante se originou do francês “débutant” que significa iniciante ou estreante.
O baile de debutantes dava início a uma série de novos comportamentos para as meninas. Funcionava como uma espécie de ritual de passagem da infância para a vida adulta. Esse baile era realizado no 15º aniversário de uma menina, quando ela, depois de oficialmente apresentada à sociedade, poderia usar roupas mais adultas, frequentar reuniões sociais e namorar. Em outros tempos, o baile também tinha como função apresentar pretendentes à moça.
Por essa razão, era importante mostrar que ela já não era mais uma criança e isso significava também dizer aos homens que ela já estava pronta para se tornar uma boa esposa e uma boa mãe. Muito importante para as famílias nobres da época, era a aliança entre si. A identidade das mulheres como adultas e suas relações com os homens mudavam drasticamente após o baile.
Segundo o blog “O ápice da festa acontecia no momento em que a debutante trocava seu vestido de um modelo infantil, usado na recepção dos convidados, para um adulto, no momento em que ia dançar com seu pai. As danças realizadas durante a festa variavam com os costumes locais. No entanto, a valsa tornou-se uma espécie de dança oficial do evento.”
http://blogrp.todomundorp.com.br/2012/03/ritos-de-passagem-baile-de-debutantes/
É chegado o grande momento da festa em comemoração aos 15 anos da aniversariante. O rito de passagem, no qual a debutante entregará uma boneca em troca do anel que receberá das mãos de seus pais, e desta forma simbolizando a passagem da infância para a nova etapa na vida da debutante (…)”
Esta citação provém de um cerimonial no qual realizei recentemente. Como nunca havia feito cerimônia deste tipo, fui pesquisar e mesmo assim, faltava algo para que eu pudesse entender melhor o verdadeiro sentido de tudo aquilo. Afinal qual o verdadeiro valor dos ritos de passagem e por que são necessários em certas cerimônias?
Em pesquisa no WIKIPÉDIA descobri que:
“(…) todas as sociedades primitivas, em determinados momentos na vida de seus membros eram marcados por cerimônias especiais, conhecidas como ritos de iniciação ou de passagem.”
https://festas.site/fantasias/fantasias-anos-60/
Não era só por prazer. Para os jovens brasileiros das décadas de 1950 e 1960, dançar também significava uma necessidade social. O romantismo dos chamados "Anos Dourados" vinha de mãos dadas com a forte repressão moral, e bailar de rosto colado proporcionava uma das raras oportunidades de aproximação entre moças e rapazes solteiros. Quem não fosse um bom pé de valsa, “dançava” mesmo, no pior sentido da palavra, vendo reduzidas as suas chances de aproximação com o sexo oposto.
Os salões de baile das sociedades recreativas assumiram um protagonismo muito importante na ocupação do tempo livre e no divertimento da população. As moças iam sempre acompanhadas dos pais e se notava a presença de todas as idades no clube e no final dos anos 60 foi acrescentada outra modalidade recreativa a ser somada às que já existiam anteriormente: a piscina que se popularizou nessa época.
Caso ela aceitasse e algum clima acontecesse entre os dois, eles se tornavam parceiros fixos de dança. E por isso dançavam apenas um com o outro, até o final da festa.
Esse padrão poderia se repetir em outros bailes, até o garoto ter coragem de roubar um beijo que geralmente acontecia escondido e em segredo.
A professora Mardespanhense Ilma Marques nos conta um pouco sobre os bailes dos quais participou.
Os anos dourados
https://www.infoescola.com/historia-do-brasil/anos-dourados/
Os anos em que JK governou o país foram de muita discussão cultural, com um estilo de vida mais moderno - baseado nas tecnologias descobertas durantes as Guerras Mundiais juntamente com a produção em massa - invadindo as casas de classe média brasileiras. Era o tempo em que enceradeiras, liquidificadores, panelas de pressão, vitrolas (eletrolas) de alta fidelidade e televisores eram as grandes novidades. Estes bens de consumo mudaram muito a vida dos brasileiros, eram o retrato do American Way of Life no Terceiro Mundo..
Os jovens começaram imitar James Dean e sua juventude transviada. As roupas mais utilizadas eram as jaquetas de couro e calça comprida. Na música os moderninhos dançavam o rock and roll e o twist com seus topetes caídos na testa.
A procura por novas tendências culminou numa efervescência criativa dos jovens.
“O nosso País vivia um clima de otimismo, de felicidade. Brasília estava sendo construída, havia a produção de siderurgias, a economia crescia. Esse cenário junto com a expansão cultural norte americana influenciou a nossa juventude ‘dourada’ da época, que passou a abandonar velhas tradições e adotar novidades como o jazz e o rock balada, por exemplo”, detalha Biu Vicente.
Severino Vicente da Silva, mais conhecido como professor Biu Vicente, é doutor em História do Brasil e dá aulas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
A sensação otimista também invadiu outras vertentes culturais como o cinema e a literatura. “Presenciamos o cinema novo com Glauber Rocha. A imagem em movimento. No campo das letras, saímos de Rui Barbosa para Guimarães Rosa e no teatro encontramos Hermilo Borba Filho e Ariano Suassuna”, destaca o professor.
No entanto, foram as peças publicitárias e os conceitos de historiadores posteriores que demarcaram a expressão “Anos Dourados” ao período.
“Essa ebulição cultural e criativa, embalada pelo pós-guerra e pelo momento econômico favorável, durou até o final dos anos 60, quando se intensifica outro período de nossa história conhecido como ‘anos de chumbo’’, conclui Biu.
https://vivariomarrecife.com.br/arte-e-cultura/anos-dourados-de-onde-surgiu-a-expressao/
Não obstante, com o fim da escassez do pós-guerra, a beleza pode ser considerada um tema importante pela indústria. Assim, era tempo de cuidar da aparência de modo sofisticado. Sem espanto, será durante os anos 50, a alta-costura e a indústria de cosmética irão se desenvolver sem precedentes. Daí, surge a moda colegial, inspirada no visual sportswear.
Contudo, o ponto alto dessa década é a popularização da televisão. No Brasil, em setembro de 1950 é inaugurada a TV Tupi, o primeiro canal de televisão da América Latina. Já o cinema, seguindo o modelo norte americano, difunde a moda do garoto rebelde, representada por James Dean; os filmes mais populares são Cinderela (1950) e Peter Pan (1953).
https://www.todamateria.com.br/anos-50/
Ora, todos os temas da época decorrem da ficção científica e as viagens espaciais. Até mesmo os carros americanos serão inspirados na tecnologia espacial (grandes, baixos e compridos, luxuosos e confortáveis), inclusive os diversos aparelhos eletrodomésticos criados, como a máquina de lavar roupas e o aspirador de pó.
Dessa forma, a juventude passa a fazer parte de uma relativa massificação, mas não sem buscar sua própria identidade. Ora, a indústria do jeans passava a crescer. Nesse sentido, a juventude se via massificada mesmo, num primeiro momento. Todos usariam um mesmo estilo de roupa. Porém, é justamente através dessa massificação que se realizará a principal mudança destes jovens. Assim, é a partir desse momento de massificação que o ideário rebelde passa a ser construído. A busca é pela identidade que se pode criar através dessa massificação. A moda começa a ser construída, nesse ponto, como representação individual do jovem rebelde.
O cinema lançou a moda do garoto rebelde, simbolizada por James Dean, no filme "Juventude Transviada" (1955), que usava blusão de couro e jeans. Marlon Brando também sugeria um visual displicente no filme "Um Bonde Chamado Desejo" (1951), transformando a camiseta branca em um símbolo da juventude rebelde que na época da alta costura lança um visual mais “largado” como contestação do que lhes era imposto.
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Comentários
















Uma pesquisa completa e excelente que resgata não só uma época, como também, remexe em nossa memória uma saudosa lembrança.
ResponderExcluirObrigado Manoel.
ExcluirMuitas lembranças dessa época
ResponderExcluirAmei ler está história,sei que os acontecimentos eram desse jeito, sinto muita saudade desse tempo.
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