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Pró-Música: uma ideia que deu certo

  Se fosse possível definir o Centro Cultural para a música em um verbo , esse verbo seria realizar. Criado em dezembro de 1971 para promover um concerto mensal de música erudita a instituição sem vínculo com o poder público ou fins lucrativos promoveu em 40 anos ininterruptos mais de 3800 eventos gratuitos para milhões de espectadores. ( do livro Centro Cultural Pró-Música, 40 anos, publicado em 2014 pela UFJF e escrito pelas jornalistas Gilze Bara e Lilian Pacce, e organizado pelo vice-presidente do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos.)   Para saber mais detalhes do livro, é só clicar Juiz de Fora,  cidade vanguardista de grande prestígio nas artes especialmente na literatura,   de grande vocação cultural, tornou-se   referência também em música erudita. O Centro Cultural por sua vez ajudou a gestar e apoiou o crescimento de diversas manifestações artísticas abrindo as portas de seu teatro, sua galeria sua escola, projetos culturais de outros grupos ...

A Palavra

 


                         Freud costumava dizer que os escritores precederam os psicanalistas na descoberta do inconsciente.  Tudo porque literatura e psicanálise têm um profundo elo em comum: a palavra.

                        Já me perguntei algumas vezes como é que uma pessoa que tem dificuldade com a palavra consegue externar  suas fantasias e carências durante uma terapia.Consultas são um refinado exercício de comunicação. Se relacionamentos fracassam por falhas na comunicação, creio que a relação terapêutica também poderá naufragar diante da impossibilidade de o paciente se fazer entender.

                    Estou lendo um belo livro de uma autora que, além de poeta, é psicanalista, Sandra Niskier Flanzer, E o livro se chama justamente “a pa-lavra” , assim em minúsculas e salientando  o verbo contido no substantivo. Lavrar: revolver e sulcar a terra,  prepará-la para o cultivo.

                   Se eu tenho um Deus, e tenho alguns, a palavra é certamente um deles. Um Deus feminino, porém não menos dominador. Ela, a palavra foi determinante na minha trajetória não só profissional, mas existencial.  Só cheguei a algum lugar nessa vida por me expressar com clareza, algo que muitos consideram fácil, mas fácil é escrever com afetação. A clareza exige simplicidade, foco, precisão e generosidade. A pessoa que nos ouve e nos lê não é obrigada a ter uma bola de cristal para descobrir o que queremos dizer. Falar e escrever sem necessidade de tradução ou legenda é um dom que é preciso desenvolver todos os dias por aqueles que apreciam viver num mundo com  obstáculos.

A palavra, que ferramenta.

                   É uma pena que haja tamanha displicência em relação a seu uso. Poucos se dão conta que ela é a chave que abre portas mais emperradas, que ela facilita negociações, encurta caminhos, cria laços, aproxima as pessoas. Tanta gente nasce e morre sem dialogar coma a vida. Contam coisas, falam por falar, mas não conversam, não usam a palavra como elemento de troca. Encantam-se com  o som da própria voz e, nessa onda narcísica, qualquer palavra lhes serve.

             Mas não, não serve qualquer  uma.

               A palavra exata é um pequeno diamante. Embeleza tudo: o convívio, o poema, o amor. Quando a palavra não tem serventia alguma, o silêncio mantém-se no posto daquela que melhor fala por nós.

                Em terapia – voltemos a nosso assunto inicial- temos que nos apresentar sem defesas, relatar impressões do passado, tornar públicas nossas aflições mais secretas, perder o pudor diante de nossas fraquezas, ser honesto de uma forma quase violenta, tudo em busca de uma “absolvição”, que nos permita viver sem arrastar tantas correntes. Como atingir o ponto nevrálgico de nossas dores sem o bisturi certeiro da palavra? É através dela que a gente se cura.

 

               A palavra exata é um pequeno diamante. Embeleza tudo: o convívio, o poema, o amor. Poucos se dão conta que ela é a chave que abre portas mais emperradas, que ela facilita negociações, encurta caminhos, cria laços, aproxima as pessoas.”

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